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quinta-feira, 25 de novembro de 1999
Por Marli Olmos 
Mairiporã, SP, 25 (AE) - O governador de São Paulo, Mário Covas, disse hoje que não participará mais de programas como o do álcool porque "todo o esforço pode ser jogado fora em razão dos aumentos de preço do combustível". Covas disse que entrou no acordo do álcool em razão da grande quantidade de empregos que precisa ser preservada no setor. No Estado de São Paulo o setor responde por 600 mil empregos diretos e indiretos.
O governador previu que o excesso de reajustes vai acabar afugentando o consumidor. "Isso coloca o setor em risco novamente", disse. O governador reconheceu que havia uma defasagem de preço. "Mas isso não pode ser repassado instantaneamente", destacou.
Covas disse ainda que o preço da gasolina não pode ser usado para reajustar o álcool. O acordo paulista que surgiu este ano para estimular o consumo de álcool previu a isençao de IPVA por dois anos e a concessão de mil litros de combustível gratuitamente para quem comprar veículo movido com o derivado da cana-de-açúcar.
No Rio, PetrobrAs Distribuidora (BR) informou que, no início da semana, reajustou os preços do álcool para os postos de combustíveis em 8%, em média. O reajuste foi nacional. No início do mês, o presidente da BR, Luis Antonio Viana, havia afirmado que a empresa estava mantendo o preço dos três meses anteriores, apesar da pressão pelo aumento.
Autopeças - O presidente da Ford do Brasil, Antonio Maciel Neto, admitiu hoje que à indústria automotiva está sofrendo uma grande pressão de custos de todos os produtos que tem o dólar como referência. Ele não cogita, no entanto, a possibilidade de o fornecimento de componentes ser interrompido em razão da falta de acordo nos preços.
Ontem o presidente do Sindicato Nacional da Industria de Componentes Automotivos (Sindipeças), Paulo Butori, previu a possibilidade de o fornecimento ser interrompido porque os fabricantes de autopeças não querem mais pagar os reajustes dos insumos. O Sindipeças enviou uma carta a cada presidente de montadora explicando que o setor não quer mais arcar sozinho com os aumentos e quer repassá-los.
Maciel Neto disse que a indústria está estudando caso a caso e "resistindo ao máximo à pressão de custos". Segundo ele
o setor está procurando alternativas de engenharia para solucionar o problema.
Entre as idéias, está a mudança de versões de produto utilizado, como o aço. "Por isso não acredito em paralisações dos fornecedores", destacou. Segundo o Sindipeças, insumos como plásticos, borrachas, aço e tintas foram reajustados entre 10% e 30%, somente nos oito primeiros meses do ano.


