São Paulo, 25 (AE) - Mesmo apostando na queda do índice de inflação da Fipe em dezembro - para cerca de 0,7% -, os economistas do Banco Santander acreditam que só a partir de janeiro comece a surgir um cenário mais claro de taxas decrescentes. Para o ano 2000, Dany Rappaport, economista-chefe do banco, trabalha com estimativa próxima de 5,5% para o IPC da Fipe, 6% para o IPCA e 6,5%, para o IGPM.
A terceira prévia de novembro, de 1,32%, da Fipe, divulgada hoje, ainda reflete os aumentos de preços dos alimentos e transportes. Isso pode persistir algum tempo, mas com peso reduzido, afirmou Rappaport. No entanto, o fato de a inflação estar localizada - o impacto da alta dos alimentos, transportes e da habitação responderam por pouco menos de 77,5% da inflação medida pelo IPC-Fipe nos primeiros dez meses de 99 - é alguma garantia de recuo no médio e longo prazos.
A grande dúvida está associada à percepção de uma inflação represada, do atacado para os preços aos consumidores, puxando para cima os preços no ano que vem, avalia o Santander no recente relatório sobre Perspectivas para o Brasil 2000, divulgado ontem.
A equipe do banco espanhol não acredita que pressões de demanda afetem os índices, basicamente, por dois motivos: a renda real do consumidor está em queda e, mesmo com reajustes salariais, as perdas com a inflação passada não devem ser integralmente repostas, e a manutenção do desemprego em níveis elevados mesmo com reduções marginais na taxa. "A previsão do governo de crescimento econômico de 4% no próximo ano é inatingível", diz Rappaport.
Quanto às tarifas públicas, outro grande vilão da inflação este ano, especialmente os combustíveis, a expectativa é de reajustes menores, em razão da trajetória esperada para o câmbio: a redução da necessidade de financiamento externo deve diminuir a pressão no câmbio e há perspectivas mais favoráveis para o preço mundial do petróleo.
Além disso, os economistas do banco acreditam que a competição no varejo vai limitar os reajustes de preços, como já vem ocorrendo, e o aumento da produtividade no setor torna possível a absorção de parte dos aumentos de preços no atacado.

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