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quinta-feira, 25 de novembro de 1999
Por Renato Andrade e Adriana Fernandes 
Brasília, 25 (AE) - O efeito inflacionário causado pelos reajustes dos chamados preços administrados pelo governo (tarifas públicas) será menor no próximo ano do que o registrado em 1999. A previsão é do secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Edward Amadeo. "O efeito de realimentação das tarifas na inflação tende a ser menor do que o registrado em 99", disse o secretário.
Segundo Amadeo, a desvalorização cambial do início do ano refletiu-se nos reajustes das tarifas, o que funcionou como um mecanismo de "pressão" sobre os índices inflacionários calculados pelas fundações e institutos de pesquisa. Para o secretário, o início do próximo ano tende, "naturalmente", a não registrar de novo essa pressão. De acordo com a análise de Amadeo, o governo conseguiu manter uma pequena "taxa de transmissão" do efeito cambial para os IPCs - cerca de 12% ante uma desvalorização nominal de 60% - o que não foi alcançado nos IPCAs.
Como os índices gerais de preço (IGPs) levam em consideração esses dois componentes, a variação registrada no início do ano acabou sendo alta. "A tendência natural agora é de que os IGPs convirjam para os níveis dos IPCs, em consequência da redução da variação dos IPCAs, diminuindo assim a realimentação registrada em 1999", disse.
Apesar dessa análise, o secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda admitiu que o reajuste das tarifas públicas ainda é considerado um "problema" a ser administrado pelo governo. "A nossa posição tem sido cada vez mais de dar reajustes menores possíveis, sempre respeitando os contratos", disse.
Para Amadeo, o trabalho das agências reguladoras deve ser feito levando-se em consideração três aspectos: o respeito aos contratos firmados, à saúde financeira das empresas e ao consumidor.
Sazonalidade - Na avaliação do secretário, as últimas altas registradas nos índices de inflação foram influenciadas por efeitos "sazonais", principalmente pelo aumento dos preços de produtos agrícolas, fruto de uma maior escassez de chuvas este ano nas áreas produtoras.
Para Amadeo, a partir da segunda quinzena de dezembro, os preços desses produtos devem entrar numa trajetória de deflação. Apesar de considerar "difícil" calcular em quanto os preços desses produtos poderão recuar, Amadeo acredita que eles poderão até ficar próximos ao que era registrado antes das últimas altas.
Para o secretário, é positivo o debate que tem sido feito no País em torno dos últimos índices inflacionários registrados. "A preocupação com a inflação é legítima num país com a história inflacionária do Brasil; faz bem ao debate."
O secretário disse ainda que é prematura a discussão sobre aumento de combustíveis por causa das recentes altas do preço do barril de petróleo no mercado internacional. "Não é uma decisão para ser tomada agora", disse Amadeo. Segundo ele, o governo não tem discutido o assunto, nem mesmo nas suas reuniões internas.


