São Paulo, 25 (AE) - O presidente da Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frango (Abef), Luiz Fernando Furlan, disse que a entidade estuda a possibilidade de pedir indenização à Argentina por perdas e danos por conta da decisão da Justiça do país de impor uma quota de 3.742 toneladas por mês para as exportações de frango brasileiro para aquele mercado.
A justificativa é que as empresas estão sendo impedidas de concretizar negócios acertados anteriormente à imposição da quota. Segundo ele, a Abef está discutindo a questão com autoridades diplomáticas brasileiras e com advogados argentinos e pede que a medida seja revogada, uma vez que ela se baseia em "números fantasiosos e inverídicos".
Furlan disse que a imprensa argentina divulgou que as exportações brasileiras de frango para a Argentina teriam crescido 63%, quando na verdade elas recuaram no período de janeiro a outubro. Os números da Abef mostram que no acumulado do ano, as exportações de frango inteiro e em cortes para a Argentina tiveram queda de 22%, em média, passando de 51.617 t de janeiro a outubro de 98 para 40.282 t no mesmo período deste ano.
O presidente da Abef mostrou estranheza em relação ao fato de um juiz do interior do país estar legislando sobre o comércio exterior. A decisão sobre a quota foi do juiz da cidade de Concepcíon del Uruguay, Juan José Pappeti.
Sobre a alegação dos argentinos de que o frango brasileiro estaria pressionando o mercado local, Furlan disse que a produção de frango na Argentina cresceu 6% este ano, o que representa mais do que toda a exportação brasileira para o país no período. Dessa forma, segundo ele, o crescimento da produção argentina é que estaria deprimindo os preços locais.

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