Rio, 25 (AE) - A estiagem prolongada, apontada como uma das principais responsáveis pelas últimas pressões nos índices de preços no atacado, começa a indicar que pode haver problemas na próxima safra de grãos. A projeção foi feita pelo chefe do departamento de agropecuária do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Carlos Lauria. Segundo ele, a pressão nos preços está acontecendo hoje mais porque o mercado trabalha "com o futuro", com especulações, do que por um efeito real.
Lauria explicou que o plantio para a safra que será colhida no primeiro semestre do ano que vem começou a ser intensificado em setembro e outubro, sobretudo de feijão e milho. Se o clima não melhorar, a primeira safra de 2000 poderá ficar comprometida, com o agravante de que o governo não tem muitos estoques para segurar os preços. Já há, de acordo com o IBGE, também outros indicativos ruins: dificuldade de acesso ao crédito e preços altos dos insumos.
O IBGE divulgou hoje o primeiro levantamento sobre intenções de plantio e áreas já plantadas para a safra de 2000 nas regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste, além do Estado de Rondônia - Nordeste começa a plantar em março, por isso não entrou na estatística. A estimativa do IBGE é que sejam plantados 27,987 milhões de hectares de nove produtos, como milho, feijão e arroz, área 0,42% menor do que neste ano.
A primeira safra de feijão deve ter a maior redução de área, da ordem de 5,66%, para 1.159.562 hectares. As principais causas são a estiagem prolongada, as geadas e os ventos frios, além de preços "desfavoráveis" aos produtores, praticados na segunda safra deste ano.
O IBGE confirmou, na estimativa de outubro, que a safra de grãos de 1999 deve ser recorde, chegando a 82,429 milhões de toneladas. O crescimento sobre o ano passado é de 9,64%. A maior safra da história do País, de 79,3 milhões de toneladas de grãos
foi registrada em 1995.
Este ano, as regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste, que respondem por 90% da produção nacional, devem ter crescimento de safra de 6,93%. No Norte e no Nordeste, o aumento deve chegar a 44,92%.
Os produtos que mais se destacam são o feijão (primeira safra) e o arroz, com crescimento de 54% e 52%, respectivamente, em relação à colheita de 1998. "Mas foi uma recuperação do mau desempenho do ano passado", alertou Lauria. A safra dos dois produtos havia sofrido com a seca no Nordeste e o arroz, também com problemas climáticos no Rio Grande do Sul.

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