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quinta-feira, 25 de novembro de 1999
Por Cláudia Dianni 
Brasília, 25 (AE) - Os ministros de 134 países que se reúnem a partir da próxima terça-feira em Seattle, nos Estados Unidos, vão utilizar os quatro dias reservados ao lançamento da Rodada do Milênio, da Organização Mundial do Comércio (OMC), para elaborar a pauta, que vem sendo discutida há um ano e já deveria estar pronta. Por falta de consenso entre os temas que vão compor a agenda, os ministros terão de buscar acordo em tempo recorde para tentar salvar a Rodada do Milênio. "Está muito difícil conseguir consenso porque os países têm interesses distintos", disse o subsecretário-geral de Integração, José Alfredo Graça Lima.
Os diplomatas brasileiros vão chegar a Seattle sem saber quais serão os temas que entraram nas negociações, mas afirmam que, se não houver progresso na questão agrícola, vão dificultar as negociações em outras áreas, como serviços e investimentos industriais. "Não haverá negociação se não houver resultados expressivos na agricultura", disse Graça Lima.
Cinco grupos de trabalho se reunirão durante os quatro dias e, em vez de decidirem como as negociações serão feitas a partir de Seattle e a que tempo, vão decidir o que poderá ser incluído na rodada. Os grupos vão tratar dos seguintes temas: agricultura, implementação dos acordos concluídos na Rodada do Uruguai, acesso a mercados, novos temas e do sistema horizontal, que significa discutir a atuação da OMC, como transparência e participação da sociedade civil.
Segundo Graça Lima, o Brasil não vai aceitar a agenda multifuncional proposta pela União Européia, que abarcaria vários temas em Seattle, se não houver disposição não só dos europeus, como também de mercados como Japão e Coréia, ainda mais radicais, em eliminar parte dos subsídios agrícolas que, segundo ele, chegam a US$ 1 bilhão por dia, considerando todos os mercados protecionistas nesse setor. "O Brasil aceita um pacote equilibrado, desde que tenha foco na agricultura", disse.
O embaixador da França no Brasil, Philippe Lecourtier, reafirmou hoje que a União Européia não tem intenção de mudar a Política Agrícola Comum (PAC), que garante subsídios ao bloco, mesmo que a manutenção da PAC "tenha um custo muito alto". Segundo ele, se a rodada não começar todos vão perder, principalmente a Europa. A Rodada do Uruguai consolidou as normas da OMC, portanto, não estava prevista uma nova rodada, apenas a implementação do que ficou acordado em 1996. A União Européia, porém, propôs que houvesse mais uma rodada, para incluir outros temas na discussão, como comércio eletrônico, biotecnologia, entre outros.
De acordo com Graça Lima, O Mercosul terá de negociar em bloco na OMC sobre qualquer tema que envolva redução tarifária, porque tem uma tarifa externa comum praticada para outros mercados. "Mas não há uma obrigação de atuar em conjunto sobre todos os temas como a União Européia", disse.


