São Paulo, 25 (AE) - O vice presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT) João Vaccari Neto, e o presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, anunciaram hoje a união das centrais sindicais para evitar que o projeto do governo que prevê mudanças no FGTS e no seguro desemprego seja enviado ao Congresso Nacional. Os dois também informaram que as centrais se recusarão a negociar essa proposta. "Não vamos negociar a desmoralização e a destruição dos fundos públicos dos trabalhadores", afirmou Vaccari. Segundo Paulinho, o projeto não tem nenhuma virtude: é puro "confisco do dinheiro dos trabalhadores".
O projeto foi entregue também hoje, só que pela manhã, ao ministro do Trabalho, Francisco Dornelles. À tarde, os sindicalistas já estavam reunidos na sede da CUT, discutindo formas de combater a idéia.
Dornelles encomendou o projeto a quatro economistas, entre eles o professor da PUC-RJ, José Márcio Camargo. Segundo Paulinho, os economistas receberam o total de R$ 60 mil pelo trabalho, pago com dinheiro do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT).
Os economistas sugeriram ao governo a fusão do FGTS com o seguro desemprego. A multa de 40% sobre o fundo, que hoje é paga ao trabalhador em caso de demissão, iria para o governo e não mais para o demitido. O dinheiro seria utilizado em políticas de combate à pobreza.
Além disso, após 6 anos de contratação, o empregador poderia transformar a contribuição mensal de 8% para o fundo em aumento de salário para o empregado, e assim deixar de depositar na conta do FGTS.
"O governo quer tirar dos pobres - trabalhadores - para ajudar os pobres?", indagou Vaccari. "Essa história de fundo de combate à pobreza com dinheiro do empregado parece piada." Paulinho também desqualificou o projeto, afirmando tratar-se de um confisco do dinheiro do trabalhador pior do que o feito no Plano Collor. "Pelo menos o Collor devolveu o que confiscou", disse o presidente da Força Sindical.
Depois da reunião, 22 lideranças das duas centrais assinaram uma nota na qual avisam que, se o govenro levar adiante o projeto, os sindicatos mobilizarão suas bases em defesa do FGTS (com saldo de R$ 78 bilhões) e do FAT (saldo de R$ 43 bilhões). "Consideramos um ato de extrema gravidade e da mais alta irresponsabilidade o governo vir a sugerir, por meio de estudos, a clara intenção de desorganizar todo o sistema de proteção e de reinserção dos desempregados no mercado de trabalho", diz a nota.

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