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quinta-feira, 25 de novembro de 1999
Por Mônica Ciarelli e Gustavo Alves 
Rio, 25 (AE) - O secretário-geral da Câmara de Comércio Exterior (Camex), José Botafogo Gonçalves, ameaçou hoje suspender a concessão de licenças automáticas à entrada de produtos argentinos no Brasil caso a Argentina continue restringindo a importação de frango brasileiro. A medida poderia prejudicar o ingresso de cerca de 400 produtos argentinos e já foi adotada pelo Brasil durante o impasse em torno do comércio de calçados na região.
O secretário esteve em contato durante todo o dia com a embaixada brasileira em Buenos Aires para analisar a decisão judicial que limitou o comércio de frangos brasileiros no país. Com base no resultado dessas reuniões, o governo vai decidir se toma medidas mais fortes para conter o embargo. "Vamos pressionar, o efeito que essa medida teria seria mais político do que econômico", explicou o secretário, que participou hoje do XIX Encontro Nacional de Comércio Exterior (Enaex).
A secretária de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Lytha Spíndola, lembrou que 35% das exportações argentinas tem como destino o mercado brasileiro, enquanto apenas 12% da produção nacional visa o Mercosul. Já Gonçalves disse que o Governo tem uma expectativa de manter uma relação mais tranquila com a Argentina após a posse do novo presidente, Fernando De la Rúa, em dezembro. Ele ponderou que as barreiras para exportação de frango brasileiro se devem a uma medida judicial e a uma postura protecionista de governo.
O ministro da Agricultura e do Abastecimento, Marcus Vinicius Pratini de Moraes, considerou inexplicável o bloqueio às importações de frango. "Não entendo, as vendas do produto para a região caíram 15% em relação ao ano passado", disse. O ministro também advertiu que o Brasil tem um "grande arsenal" para combater práticas protecionistas como essa. Segundo ele, o governo pode bloquear as importações argentinas de produtos derivados do leite, alho, cebola e batata, caso o país vizinho não suspenda as restrições contra os produtos brasileiros.
Bombardier - Botafogo Gonçalves disse ainda que, se o Brasil tiver que pagar o ressarcimento de até US$ 15 bilhões que a Bombardier está pedindo na Organização Mundial de Comércio (OMC) conta a Embraer, "é melhor fechar o comércio exterior com o Canadá nos próximos 15 anos". Segundo ele, a Bombardier está se sentindo ameaçada porque perdeu participação no mercado para as aeronaves da Embraer, que são melhores e mais leves. "Isso são fogos de artifício", considerou.


