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quinta-feira, 25 de novembro de 1999
Por Felipe Werneck 
Rio, 25 (AE) - O ministro da Ciência e Tecnologia, Ronaldo Sardenberg, anunciou hoje que serão investidos pelo menos R$ 5 bilhões no desenvolvimento tecnológico do País nos próximos quatro anos. "É necessário dar mais ênfase à tecnologia e isso é parte da política do ministério, porque no Brasil há um desequilíbrio entre a ênfase dada nos últimos 50 anos à pesquisa básica e à tecnologia", disse. "Temos hoje um padrão que é diferente daquele de países desenvolvidos e até mesmo em desenvolvimento, como a Coréia."
Sardenberg defendeu o apoio às pequenas e médias empresas de base tecnológica por meio de empréstimos com juros "menores do que os de mercado", que serão concedidos pela Finep, agência financiadora do ministério. Ele também disse que será dado maior apoio financeiro a universidades e centros tecnológicos - nesse caso, a fundo perdido.
"Estamos atrasados, hoje, porque nosso sistema econômico era muito fechado, e, com isso, reduzia a competição, desestimulando a inovação", ressaltou. Segundo o ministro, o País produz cerca de 1% do conhecimento mundial. "Precisamos conhecer mais, competir melhor e promover o bem-estar social por meio da ciência e tecnologia."
Pesquisa - Sardenberg participou, no Rio, da reunião do Programa Ibero-Americano de Ciência e Tecnologia para o Desenvolvimento (Cyted), que teve a participação de representantes de 20 países. No encontro, foram aprovados dois projetos de pesquisa: um de tecnologia para a previsão e avaliação de riscos de desastres naturais e outro de hidrologia, para o aproveitamento de recursos na região.
Para cada programa será escolhido um coordenador internacional. O Brasil reservou US$ 200 mil para os projetos, que deverão ser efetivados em um ano. "Do ponto de vista da água e do clima, dependemos de informações de países vizinhos, assim como eles dependem de nós, por isso deve haver uma maior integração."
O ministro disse ainda que serão investidos, no País, R$ 300 milhões em pesquisas no setor de hidrologia. Um dos pontos será a modernização do serviço de informações do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
Bolsas - Sardenberg descartou cortes de bolsas de pesquisa e disse que serão mantidas as 43 mil oferecidas atualmente pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Estava prevista para as 21h de hoje a assinatura de um convênio entre o governo do Estado, a Fundação de Amparo à Pesquisa do Rio e os ministérios da Ciência e Tecnologia e da Educação para a efetivação do Programa de Apoio Emergencial à Infra-Estrutura de Pesquisa. Os ministérios e o Estado deverão participar, cada um, com recursos de cerca de R$ 1 milhão. Estão previstos investimentos em centros universitários, institutos e centros de pesquisa no Rio.


