Brasília, 25 (AE) - O ministro das Comunicações, Pimenta da Veiga, criticou hoje as conclusões do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, que teme o impacto das tarifas públicas no índice da inflação no ano 2000. "O Copom, como outros setores, teve preocupações exageradas com a inflação", afirmou Pimenta da Veiga, referindo-se à ata da reunião realizada no dia 10 de novembro, divulgada na quarta-feira. "Eu quero divergir de todos que se manifestarem com esta preocupação." Segundo o ministro, os reajustes nas tarifas de telecomunicações este ano estão de acordo com os contratos de concessão e a mesma coisa ocorrerá no próximo ano. "Quanto ao próximo ano, tudo será feito, na área do meu ministério, com muito critério para que não haja excesso", afirmou Pimenta da Veiga. "Espero que em todas as áreas aconteça o mesmo."
Membros da equipe econômica acreditam que as agências reguladoras não procuraram negociar aumentos menores para as tarifas públicas ao longo do ano e foram muito flexíveis às exigências das concessionárias privadas. Nos últimos dias foram feitas reuniões no Palácio do Planalto onde os contratos de concessão e a política de reajustes tarifários foram explicados pelos dirigentes das agências reguladoras. "Tenho plena convicção que numa próxima reunião (do Copom) o viés dos juros será de baixa", afirmou o ministro das Comunicações. Na última reunião do comitê, os juros foram congelados em 19% e foi retirada a tendência (viés) de baixa da meta para a taxa Selic. O argumento foi o aumento de 16,79% nas tarifas públicas apurado pelo BC, quando a variação do Índice de Preços ao Consumidor Ampliado (IPCA), calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), foi de 6,01%. Pimenta da Veiga também garantiu que os reajustes nos preços, que resultaram no aumento da inflação em outubro, não ocorrerão mais este ano e já foram absorvidos pelos índices de inflação. É o caso, segundo o ministro, dos preços dos combustíveis, que não têm como subir mais em 1999. "As tarifas não vão subir mais exageradamente este ano", disse ele. "Eu quero dizer que estou absolutamente tranquilo em relação à inflação."
No entender de Pimenta da Veiga, "as razões estruturais da economia garantem que dentro de um procedimento normal não há porque temer um aumento de preços". Os contratos, afirmou, sempre serão respeitados. O governo ainda deverá autorizar reajustes até o fim do ano, por exemplo, nas tarifas de pedágio das rodovias federais, nas contas da Companhia Energética do Rio de Janeiro (Cerj) e em algumas empresas da telefonia celular. "Não haverá excesso e, portanto, não há porque ter preocupação", afirmou.
"Não há razão estrutural para se preocupar com a inflação", disse Pimenta da Veiga. Segundo ele, a preocupação do Copom do dia 10 de novembro foi resultado de "coisas episódicas, que não se repetirão", como os aumentos nos preços do álcool, do açúcar, do petróleo e da carne. "Tenho convicção que estes produtos não se elevarão; ao contrário, poderão contribuir para índices menores de inflação", analisou o ministro das Comunicações.

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