PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 24 de novembro de 1999
Por Gilse Guedes 
Brasília, 24 (AE) - A CPI do Narcotráfico investiga métodos de lavagem de dinheiro do tráfico de drogas diversificados, entre eles o uso de empresas em situação pré-falimentar, operações denominadas "back to back" que consistem no envio de recursos para o exterior por empresas fantasmas e contratos de leasing. Na avaliação de integrantes da comissão, esses sistemas de lavagem de dinheiro estariam sendo usados pelo colombiano Joaquim Hernando Castilla Jimenez, acusado de participar de quadrilha de tráfico de drogas. Ele depôs ontem (23) em caráter reservado e, segundo parlamentares, revelou lavar recursos provenientes do crime organizado no valor de US$ 600 a US$ 720 milhões ao ano. Ainda segundo integrantes da comissão, o colombiano contou que lavou nos últimos cinco meses US$ 5 milhões por meio de agências do Real, em Goiás, Bradesco, de Belém, HSBC, do Pará, Unibanco, de Belo Horizonte e São Paulo, e Bozano, Simonsen, em São Paulo. As operações ilegais seriam feitas por meio da ajuda de funcionários das agências bancárias.
Os deputados da CPI, no entanto, estão apurando as informações reveladas pelo colombiano dadas em caráter reservado.
Uma das operações identificadas é a que se refere à empresa Iderol S.A - Equipamentos Rodoviários, de Guarulhos, envolvida em um esquema "falência fraudulenta" com objetivo de lavar dinheiro. Teriam sido transferidos cerca de R$ 80 milhões para o exterior por meio dessa empresa usando como argumento o pagamento de supostas dívidas inexistentes.


