Brasília, 24 (AE) - O deputado Augusto Farias (PPB-AL) declarou hoje em plenário que abre mão de sua imunidade parlamentar caso o Supremo Tribunal Federal (STF) queira abrir processo contra ele por causa das denúncias de envolvimento com o crime organizado. "Os membros da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Narcotráfico só me acusam pela imprensa, mas não tem nenhuma acusação oficial contra mim", disse. "Faço esse apelo para poder andar de cabeça erguida pela Casa, apesar de contar com a solidariedade dos colegas", disse Farias.
Contra as declarações do deputado, houve uma enxurrada de discursos pró-CPI no plenário. "Essa é a nossa operação mãos limpas e merece todo o apoio da sociedade brasileira", afirmou o líder do PFL na Câmara, deputado Inocêncio Oliveira (PE). Para o líder do PT na Câmara, deputado José Genoíno (SP), os trabalhos da CPI são o que há de "mais importante" para a moralização do País acontecendo atualmente.
O presidente da CPI, deputado Magno Malta (PTB-ES), rebateu as acusações de Farias. "Não existe nenhuma CPI contra Augusto Farias, mas do narcotráfico", defendeu, lembrando ao plenário que Farias é indiciado pela polícia federal como suspeito na morte do próprio irmão, Paulo César Farias, ex-tesoureiro da campanha do ex-presidente Fernando Collor de Mello. Para Malta, a CPI tem trabalhando com "toda lisura". "Até que se prove o contrário, qualquer cidadão citado nos depoimentos é inocente".
Segundo Farias, não há nenhum processo contra ele. "Meu único problema é que sofro de preconceito por ser irmão de PC Farias, mas isso é falta de decoro parlamentar, ser irmão de quem sou?", questionou. De acordo com o deputado, há 54 dias - desde que o caminhoneiro Jorge Meres acusou o deputado em depoimento à CPI de ser o cabeça de uma organização de roubo de cargas - ele está sendo "crucificado" pela imprensa.
Sobre o fato de ter sido indiciado para depor sobre a morte do irmão, Farias afirmou que ele foi chamado como "testemunha". "Sou capaz de matar pelos meus irmãos, mas nunca de matar um irmão", disse. Para o deputado, o único "processo isento" contra ele viria do Supremo. "Mas tenho convicção que não há do que me acusar", afirmou.
O deputado desafiou ainda à Justiça que quebre seu sigilo telefônico e bancário. "Quero ver se alguém encontra ligações para Campinas (onde vive o legista Badan Palhares, que assinou o laudo da autópsia em PC Farias), para o Acre (onde morava o ex-deputado Hildebrando Pascoal, acusado de envolvimento com o narcotráfico) ou então reservas e pagamentos em algum hotel nesses Estados".
Durante longo tempo, parlamentares de todos os partidos se revezaram ao microfone do plenário para discursar em apoio ao trabalho da CPI contra as críticas de Farias.

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