Brasília, 24 (AE) - Colegas de partido do senador Luiz Estevão (PMDB-DF) começaram hoje a definir a posição que adotarão se tiverem de examinar o pedido de cassação do parlamentar, minutos antes de ser instalado o Conselho de Ética e Decoro Parlamentar do Senado. Reunidos no gabinete do líder Jader Barbalho (PA), eles constataram que é grande a pressão em todo o País para que o Senado decida sobre o futuro político de Estevão. "A sociedade está exigindo uma conduta do partido", comentou um senador.
A pressão também está sendo feita por entidades. Chegou hoje ao Senado nota em que o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Reginaldo de Castro, pede aos parlamentares que examinem a cassação de Estevão. A OAB condenou a idéia do Senado de investigar o Judiciário.
O senador Ramez Tebet (PMDB-MS), eleito presidente do Conselho de Ética, informou que só convocará seus colegas quando chegar à Casa o pedido formal de cassação de Luiz Estevão, acusado pela comissão de ter sido um dos principais beneficiados pelo desvio de R$ 169 milhões dos R$ 263 milhões repassados às obras do fórum trabalhista de São Paulo.
A vice-presidência do Conselho de Ética será ocupada por outro senador de Mato Grosso do Sul, Juvêncio Fonseca, do PFL. O conselho é formado por 15 senadores e igual número de suplentes. Cinco são do PMDB, quatro do PFL, três do PSDB e três do bloco da oposição.
Encerramento - Instalada há 242 dias sob a desconfiança de vários setores da sociedade, a CPI do Judiciário mostra amanhã (25), no encerramento de seus trabalhos, que seus críticos estavam enganados. As denúncias investigadas pela CPI apontaram os mais variados tipos de irregularidade: da existência de um esquema irregular de adoção de crianças até a participação do senador Luiz Estevão em desvio de dinheiro público.
Durante seu funcionamento, a CPI ouviu o depoimento de 71 pessoas. Dois suspeitos de irregularidades - o ex-presidente do Tribunal de Justiça do Distrito Federal, Asdrúbal Zola Cruxên, e o empresário Josino Guimarães - obtiveram habeas corpus do Supremo Tribunal Federal (STF) para não depor. Para o presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), autor do requerimento de criação da CPI, os resultados dos trabalhos evidenciam a necessidade de o Judiciário mudar de rumos.

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