Rio Branco, 24 (AE) - As investigações realizadas pelo Ministério Público Estadual e pela Polícia Federal atingiram a família do ex-governador do Acre Romildo Magalhães (PPB). O empresário Sheldon Magalhães, filho do ex-governador, foi intimado hoje pelo ministério para depor na condição de acusado de ser um dos mandantes do assassinato do assaltante Hélio da Silva, o Hélio Pinguim. O depoimento foi marcado para as 9 horas desta quinta-feira. Até o fim da tarde, não havia confirmação se Sheldon recebera ou não a intimação.
Pinguim, cujo cadáver ainda não foi reconhecido oficialmente porque o exame cadavérico ainda não foi concluído pela perícia, teria sido assassinado porque confessou ter matado o filho mais novo de Magalhães. O crime ocorreu em 1995, quando Romildo Magalhães Filho tinha 16 anos. Desde aquela época, existe uma suspeita velada das autoridades de que Pinguim teria sido assassinado por vingança. A ligação com o crime organizado e o narcotráfico, que segundo os policiais federais e promotores eram liderados pelo ex-deputado federal Hildebrando Pascoal - que responde a vários processos criminais em todas as esferas judiciais e está preso em Brasília - aumentou no início do mês.
Em depoimento à Justiça Federal do Acre, o pistoleiro e uma das principais testemunhas de acusação de Hildebrando, Raimundo Alves Barros, o Raimundinho, indicou o local onde o corpo de Pinguim teria sido enterrado. Em diligência, agentes da PF encontraram duas ossadas no local indicado - o cemitério clandestino no bairro do Calafati, distante cerca de 20 quilômetros do centro da cidade.
Uma das ossadas era de mãos que estavam amarradas e a outra tinha uma corda no pescoço. De acordo com os policiais, o fato pode indicar que as vítimas foram torturadas e arrastadas até o local antes de serem executadas.
O exame das ossadas ainda não foi concluído. A dificuldade existe porque nenhum membro da família de Pinguim teria sido localizado até o momento para comparar o DNA.
O promotor que emitiu a intimação, Eliseu Buchemier, disse que embora ainda não exista prova material do crime, os indícios são fortíssimos e há inúmeras provas testemunhais. "No processo criminal, as provas testemunhais são admitidas se houver dificuldade na produção de provas materiais", argumentou Buchemier.
Os Magalhães não são a primeira família de políticos influentes a ser atingida pelas investigações deflagradas a partir das informações recolhidas pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Narcotráfico. O ex-governador disse hoje que seu filho vai cumprir o chamado do Ministério Público". "Ele irá carregado de verdade", afirmou Magalhães.
"Temos nossa consciência tranquila, pois sabemos que matar aquele homem não traria o meu filho de volta", completou. Ele disse que sempre quis que o "assassino pagasse por decisão da Justiça". "Se eu quisesse matá-lo, teria feito quando a polícia o prendeu, mas mandei entregá-lo na delegacia", justificou. "Lamento que ele tenha sido assassinado, como também lamento que o Ministério Público esteja querendo debitar isso ao meu outro filho e, talvez, até à minha pessoa."
Boatos - O MP não confirma, mas há informações de que Magalhães também poderá ser intimado a depor pelo mesmo motivo de seu filho nos próximos dias. Uma investigação sigilosa, revelada no início da semana, mostrou que o ex-governador Oleir Cameli também está sob suspeita de participação.
A reportagem tentou entrar em contado com Cameli, mas não foi localizado e os comentários é de que ele estaria vivendo em Manaus.

mockup