Foz do Iguaçu, PR, 24 (AE) - O Ministério Público Federal constatou, nos últimos anos, o envolvimento de empresários e políticos no esquema de remessa ilegal de divisas ao exterior, ao investigar a "lavanderia" de dinheiro de origem duvidosa na região de Foz do Iguaçu, no extremo oeste do Paraná.
Um dos nomes envolvidos no esquema é o do deputado estadual Antônio Carlos Baratter (PSDB-PR), dono da casa de câmbio Cash, de Cascavel (PR). Com o irmão Mauro Baratter, também empresário do setor agropecuário, com fazendas no Mato Grosso do Sul e Paraguai, o deputado movimentou mais de R$ 30 milhões em nome de "laranjas", incluindo a própria faxineira na casa de câmbio.
Segundo o procurador da República Celso Antônio Três, do Ministério Público Federal de Cascavel, os irmãos Baratter contrataram para a casa de câmbio Cash Romildo José Machado, que já atuava como "laranja" de outros cambistas de Foz do Iguaçu. Machado foi avalista de várias contas abertas em nome das "laranjas" Valdete Pereira dos Santos e Anísia Diz de los Santos.
Primeiro suplente do PSDB, Baratter assumiu recentemente a vaga na Assembléia Legislativa no lugar do deputado Sérgio Spad, atual secretário da Defesa do Consumidor. Nos próximos dias, ele corre o risco de ser chamado a explicar-se na Assembléia, que criou nesta semana uma Comissão Especial de Investigação (CEI) para apurar denúncias sobre o narcotráfico no Estado.
A CEI foi criada após a informação do traficante colombiano Joaquim Hernando Castilla Jimenez, em depoimento na CPI do Narcotráfico, de que os traficantes estariam atuando no Paraná. "O dinheiro lavado na Cash pode não ser do narcotráfico, mas a evasão de divisas não pode ficar impune", diz o deputado ¶ngelo Vanhoni (PT-PR), presidente da CEI. Baratter afirma estar tranquilo quanto às investigações pois desconhece qualquer operação com relação a depósitos irregulares. O deputado disse ter somente 25% da Cash, casa de câmbio criada, segundo ele, "para ganhar dinheiro".

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