Brasília, 24 (AE) - A CPI do Narcotráfico vai instalar-se em São Paulo, independentemente do que considera resistência dos três Poderes no Estado. A ida da CPI para a capital só deverá ocorrer no próximo ano por causa do recesso parlamentar, mas o sub-relator da comissão para o Estado, deputado Celso Russomano (PPB-SP), já começou a trabalhar na coleta de informações e adiantou hoje que está investigando uma rota de tráfico, ligando Marília, Ribeirão Preto, Campinas e São Paulo. Moroni Torgan (PFL-CE) diz que o Estado é um dos maiores centros de consumo de drogas no mundo. De acordo com ele, além da atuação de uma quadrilha organizada de distribuição de crack, São Paulo seria a base da conexão nigeriana.
Torgan disse que em nenhum outro Estado a CPI vem enfrentando resistência, como em São Paulo. Na terça-feira, vários integrantes da comissão se rebelaram contra o fato de o Tribunal de Justiça do Estado ter concedido habeas-corpus ao advogado Arthur Eugênio Mathias, suspeito de envolvimento com o crime organizado. "Espero que essas dificuldades sejam superadas e não haja mais problemas", disse o relator da CPI. "Talvez, as dificuldades ocorreram porque, ao contrário da atuação nos demais Estados, a CPI entrou em São Paulo via Campinas", disse Torgan. "Nas outras situações, fomos direto para a capital, o que facilitou o entendimento com o governador e com o Judiciário local."
A quebra de resistências começa a ser posta em prática na sexta-feira (26), quando Russomano terá um encontro com o Ministério Público. "Vamos discutir a união de ações, mas também quero definir que procuradores vão nos ajudar no trabalho", contou o deputado.

mockup