Brasília, 24 (AE) - O presidente da CPI do Narcotráfico, deputado Magno Malta (PTB-ES), pretende fazer uma acareação entre o legista da Universidade de Campinas (Unicamp) Fortunato Badan Palhares, acusado de falsificar laudos criminais, e o deputado Augusto Farias (PPB-AL), por causa das suspeitas de ligação dos dois com uma quadrilha de tráfico de drogas e dos desdobramentos das investigações do assassinato do empresário Paulo Cesar Farias, o PC, e de sua namorada Suzana Marcolino, em 1996.
"A morte de PC envolve várias pessoas e precisa ser levada em conta na CPI", disse Malta. Segundo o deputado, Badan será ouvido amanhã (25) pela comissão. A acareação deverá ser realizada na viagem que os deputados da CPI farão para Alagoas, provavelmente em dezembro. No caso PC, o legista produziu um laudo da morte do ex-tesoureiro de Fernando Collor e de sua namorada defendendo a tese de crime passional, o que, posteriormente, foi questionado. Os deputados vão pedir à Justiça de Alagoas uma cópia do inquérito do caso PC.
Na semana passada, os delegados Antônio Carlos Lessa e Alcides Andrade entregaram à Justiça um inquérito indiciando nove pessoas, entre elas Augusto Farias, e questionando a versão de crime passional. Na avaliação dos integrantes da comissão, o elo entre o caso PC e o narcotráfico é o depoimento do traficante Jorge Meres, que denunciou uma quadrilha, da qual ele mesmo fez parte, formada pelo ex-deputado maranhense José Gerardo de Abreu, o empresário de Campinas Willian Sozza e Augusto Farias.
Meres cita em seu depoimento que Sozza, que está foragido, herdou cinco empresas de PC. Em relação a Badan, a CPI investiga a suspeita de que o legista falsificaria laudos para o crime organizado. Há suspeita de que o perito fez o laudo de um garoto de 12 anos, que teria sido assassinado por José Gerardo no Maranhão.
O ex-deputado teria matado o jovem para vingar-se de um ex-gerente do Banco do Brasil Antônio Penha Brito, pelo fato de ele ter-lhe negado um empréstimo. Badan teria feito o exame em um corpo, mas não o identificou como sendo do jovem. O dentista do garoto garantiu que a arcada dentária era do filho do gerente.
Na próxima semana, no dia 30, a CPI vai ouvir policiais de Campinas acusados de ligação com a quadrilha e realizar uma acareação com Gilmar Leite Siqueira, que denunciou os policiais. No dia 1.º de dezembro, será a vez de Alexandre Negrão. No dia 2
deverá depor o ex-presidente do Guarani, Luiz Roberto Zini. Os dois são suspeitos de envolvimento com o narcotráfico.
O relator da CPI , deputado Moroni Torgan, não considera "vital" o depoimento do legista marcado para esta quinta-feira (25). "As suspeitas não o colocam como suposto chefe do crime, mas como uma pessoa que teria sido usada", disse Torgan. Segundo o deputado, além da investigação sobre indícios de irregularidades na emissão de laudos também será investigada a evolução patrimonial do legista, que não atendeu à convocação para depor na CPI por ter sofrido problemas de saúde.

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