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quarta-feira, 24 de novembro de 1999
Por Hugo Marques 
Brasília, 24 (AE) - A CPI do Narcotráfico quebrou, na madrugada de hoje, sigilos bancários, telefônicos e fiscais de várias pessoas supostamente ligadas ao empresário Willian Sozza, aprovou convocações de novas testemunhas e pessoas ligadas ao tráfico e incluiu novos nomes no programa de proteção a testemunhas.
Foi aprovada a convocação dos empresários Marcio Luchesi e Nicolau Ferreira de Morais, supostos "laranjas" usados no processo de falência fraudulenta da Iderol S.A. - Equipamentos Rodoviários, suspeita de lavagem de dinheiro do crime organizado. Também foi convocado a depor gerente do Unibanco em Campinas.
A CPI quebrou os sigilos de várias pessoas que tinham comprovantes de depósitos bancários escondidos na empresa de Willian Sozza, também conforme matéria antecipada ontem pelo Estado.
Foram quebrados os sigilos de José Antônio Solena, beneficiado com depósito de R$ 1.200,00, e da Solena Transportes
com R$ 4.497,00. Foi quebrado ainda os sigilos da Cotrasa - Comércio e Transporte, que movimentou R$ 80 mil, dinheiro supostamente depositado por Sozza - e os sigilos de Flávia Moreira Rocha (beneficiada com depósito de R$ 40 mil), Renata Fuzaro (R$ 4.400,00) e Aparecido Donizete Garcia (R$ 14.141 67).
Os parlamentares decidiram convocar o empresário Fahd Jamil Georges, por suposto envolvimento no narcotráfico. O nome de Georges está no dossiê envidado à CPI pela Secretaria Nacional Antidrogas. Também foi convocado o diretor da área Externa do Banco Central, Daniel Gleiser, para "prestar esclarecimentos sobre o crime organizado". Os parlamentares esperam contribuição do Banco Central para desvendar esquemas de lavagem de dinheiro.
Na lista de quebra de sigilos aparecem os nomes de Alfredo Roberto Hazi, Frederico Souza Lima e Laura Maria Andrade Nascimento, por suposto envolvimento em crime de lavagem de dinheiro.
A CPI decidiu ainda investigar Luiz Paulo Medrado, que, segundo denúncias que chegaram à CPI, seria o maior fornecedor de drogas no Rio de Janeiro. Serão convocados os empresários goianos Leonardo Dias Mendonça, Pedro Misael Alves Ferreira e Antenor José Pedreira, que integram quadrilha desbaratada pela Polícia Federal no ultimo final de semana, no Pará em em Goiás. Será convocado ainda o empresário Osmar Anastácio, por envolvimento com o tráfico. A CPI vai ouvir o superintendente da PF no Pará, Geraldo Araújo, sobre o crime organizado no Estado.
Os parlamentares pediram hoje ao diretor-geral da PF, Agílio Monteiro Filho, para investigar a morte do policial Luíz Roberto Lopes, que teria se suicidado em Campinas. A CPI decidiu convocar o delegado Paulo Pereira de Paulo, que denunciou o envolvimento de José Luiz Cheber Laback com o crime organizado.
Foi aprovado requerimento de audiência com os embaixadores da Bolívia, Gonçalo Montenegro, da Colômbia, Mario Galofre Cano, do Paraguai, Luiz Gonzalez, e do Peru, Alfonso Rivera, para tratar sobre narcotráfico na América Latina.
A CPI oficiou a Polícia Civil do Rio para encaminhar dossiê sobre Henrique Coimbra. A CPI oficiou o Departamento de Aviação Civil para informar sobre suposta homologação de pistas na fazenda de Coimbra, que será convocado a dar explicações sobre esquema de tráfico em suas fazendas.
Foi convocado como testemunha Eliseu Pires, que fez denúncias de tráfico envolvendo a deputada carioca Núbia Cozzolino. Ainda no Rio, será ouvido o traficante Rogério Marcos Souza, o Dinho, envolvido na morte de dois advogados. A CPI decidiu se reuniu com comitê criado no Rio para investigar o tráfico.
A CPI aprovou a convocação do pistoleiro Maurício Guedes, o Chapéu de Couro, o superintendente da PF em Alagoas, Bergson Toledo, e juízes que podem prestar informações sobre o deputado Augusto Farias (PPB-AL), que teve o sigilo quebrado na mesma reunião. Os delegados Antonio Carlos Lessa e Alcides Andrade, que indiciaram Augusto Farias por envolvimento na morte de PC Farias, foram convidados a depor.
Foram convocadas pessoas ligadas ao tráfico e que teriam livre trânsito no Senado. A CPI aprovou ainda a quebra de sigilo de Antonio Oliveira Claramundo e de sua empresa, a Barcelona Turismo, por suposto envolvimento com lavagem de dinheiro. A CPI convocou bicheiros do Rio e São Paulo para depor e requisitou informações sobre processos judiciais em andamento, assim como resultados da apuração de outra CPI, que investigou os bicheiros.


