Belém, 24 (AE) - A Polícia Federal do Pará descobriu que dez prefeituras do sul e sudeste do Estado firmaram contratos para obras e serviços com empresas ilegais, fantasmas e de fachada pertencentes ao fazendeiro goiano Leonardo Mendonça, acusado pela PF de ser o maior transportador de cocaína do Brasil para o Suriname, Guiana Francesa, Europa e Estados Unidos.
Segundo o superintendente da PF, Geraldo Araújo, as empresas firmaram convênios com as prefeituras por interferência do empresário Wilson Torres, de Marabá, sócio de Mendonça. Essas empresas seriam ramificações do esquema de lavagem de dinheiro do narcotráfico.
Araújo revelou que as prefeituras, cujos nomes preferiu ainda não informar para não "prejudicar as investigações", poderão ser envolvidas no inquérito porque contrataram obras como estradas e pontes com empresas que não possuem, entre outros documentos, certidão negativa do INSS.
A PF chegou aos contratos celebrados entre as prefeituras do Pará e as empresas de Mendonça após encontrar na casa do fazendeiro, em Goiânia (GO), uma pasta com vários documentos. A reportagem conseguiu apurar que uma das prefeituras envolvidas no esquema é a de Novo Repartimento, que contratou as empresas Piquete, Croll e Impacto para obras no município. As três empresas pertencem a Mendonça em associação com Torres.
O prefeito do município, Dionísio Francisco de Melo, o Dio, figura em um dossiê em poder da Polícia Civil como um dos integrantes do crime organizado na região de Tucuruí. O prefeito não foi localizado hoje em Novo Repartimento. Um funcionário da prefeitura informou, por telefone, que Melo estava fora da cidade.
O superintendente da PF disse não ter mais dúvidas de que Mendonça ocupa o mais alto escalão de uma poderosa organização internacional que utiliza o Brasil como principal conexão para a exportação de cocaína. "Acima dele, no Brasil, não há mais ninguém", acrescentou Araújo, enfatizando que Mendonça usa no país um "pomar cheio de laranjas".
Hoje de manhã em Belém, onde se encontra preso desde o início da semana, Mendonça voltou a ser interrogado pelo delegado Anderson Rui Fontel de Oliveira, responsável pela Divisão de Entorpecentes da PF, mas negou novamente qualquer envolvimento com o tráfico de drogas.
"De pó, ele só conhece o de estrada", ironizou o superintendente da PF. Araújo disse que provavelmente amanhã (25) estará em Brasília para depor na CPI do Narcotráfico.
O presidente da CPI, Magno Malta, e o relator, Moroni Torgan
disseram que o Pará está enquadrado na rota internacional do tráfico de drogas. Eles prometeram que a CPI deve se reunir em Belém em data ainda a ser marcada nos próximos dias, para ouvir empresários do Estado suspeitos de participação no tráfico de cocaína e lavagem de dinheiro.

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