Brasília, 24 (AE) - O governo já estuda a criação, dentro da Polícia Federal, de um sistema especial de proteção à testemunha para abranger denunciantes do crime organizado no País que também participaram de ações criminosas. A intenção é ampliar o atendimento do Programa de Proteção a Testemunhas do Ministério da Justiça, cuja expectativa inicial de 150 pessoas deve ser superada. O assunto foi discutido esta semana entre o ministro da Justiça, José Carlos Dias, e o diretor-geral da PF, Agílio Monteiro Filho.
Segundo fontes do Ministério da Justiça, o novo serviço seria para atender às pessoas com ligações criminosas que decidiram colaborar com a polícia ou com a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Narcotráfico. Neste caso, o atendimento seria imediato, já que o colaborador corre risco de vida, como o caminhoneiro Jorge Meres, que ajudou a CPI a desvendar o esquema de lavagem de dinheiro, tráfico de drogas e roubo de cargas entre o Maranhão e Campinas.
O governo ainda não sabe como deverá funcionar o novo sistema de proteção, que receberá a qualificação de serviço especial, já que atenderá a casos relativos a denúncias contra o crime organizado, onde a pessoa corre risco de vida. Mas ele deverá dar atendimento mais rápido ao denunciante.
Quando criou o Programa de Proteção a Testemunhas, há cerca de quatro meses, o governo não esperava atender ao grande número de pessoas que hoje procura ajuda. Até agora foram atendidas 128 pessoas em programas desenvolvidos em cinco Estados, mas até o final do ano, com o andamento das investigações da CPI, o atendimento deverá chegar a mais de 150 casos, superando as expectativas e prejudicando a qualidade do serviço.
Hoje, o coordenador do Serviço de Proteção a Testemunhas, Humberto Spíndola, afirmou-se preocupado com as críticas de que teria afirmado que "ninguém que quiser preservar sua vida vai entrar nessa". Teme que essa atitude venha a desencorajar novas denúncias e a adesão ao programa do governo. "Qualquer declaração precipitada poderá desencorajar testemunhas e prejudicar todo o trabalho de combate à impunidade no país", disse Spíndola.

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