Belo Horizonte, 24 (AE) - A Assembléia Legislativa de Minas Gerais definiu hoje os integrantes da Comissão Parlamentar de Inquérito que vai investigar o tráfico de drogas no Estado e amanhã (25) deve ser instalada. A comissão receberá cópia do depoimento prestado ontem (23) por Luciana Assis Mendonça, de 25 anos, ex-namorada do traficante Roni Peixoto, preso em uma penitenciária do Estado. Por mais de quatro horas, Luciana revelou ao juiz da 12ª Vara Criminal (Tóxicos e Entorpecentes) de Belo Horizonte, Eli Lucas de Mendonça, conexões do traficante Fernando Beira-Mar no Estado. O juiz disse que Luciana, que desde ontem (23) está sob constante proteção policial, compareceu espontaneamente ao Forum para contar sua história, acompanhada de um advogado.
No depoimento, Luciana citou nomes de empresários, policiais e parlamentares que estariam ligados ao tráfico no Estado. "Ela disse que desejava revelar o que sabia sobre Fernandinho Beira-Mar e um de seus comparsas, do qual teria sido amásia", afirmou o juiz. "Como decidiu-se afastar-se dessa gangue, e por saber que corria risco de vida, afirmou que antes que qualquer coisa acontecesse queria dividir o que sabia", completou. Roni Peixoto está detido no presídio Dutra Ladeira, em Contagem (MG). Ele é considerado um dos principais representantes de Beira-Mar em Minas.
Luciana contou ao juiz que namorou Roni, líder do tráfico na Pedreira Prado Lopes, uma das maiores favelas da capital, entre 1988 e 1993, período em ele teria feito acordo com Beira-Mar. Mesmo depois de separados, ela teria continuado a acompanhar a ligação dos traficantes. Beira-Mar associou-se a Roni para comandar o tráfico em Belo Horizonte, já que o último teria experiência na compra e venda de crack, vindo de Ribeirão Preto (SP). Luciana citou diversos nomes de empresários, donos de casas noturnas, lojas, um hotel e até de empresas de transporte de valores mineiras, dos quais Beira-Mar seria sócio.
Da mesma forma, ela denunciou políticos que teriam sido eleitos com dinheiro do traficante e policiais corruptos, entre eles os que teriam facilitado a fuga de Beira-Mar do Departamento de Operações Especiais (Deoesp), onde estava preso, em 1998. O criminoso escapou pela porta da frente e, segundo Luciana, pagou R$ 500 mil pela facilitação. Ele teria sido levado para o Rio, onde econtrou-se com a mulher Elisabeth e seguiu para o exterior. "Não vamos os informar os nomes de todas essas pessoas porque, por enquanto, se trata apenas de uma versão", disse o juiz. O depoimento, de acordo com Lucas de Mendonça, será enviado ao Ministério Público e à CPI do Narcotráfico da Câmara Federal.

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