PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 24 de novembro de 1999
Por Eliane Azevedo e Tiago Oliveira 
Rio, 24 (AE) - A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Narcotráfico vai ouvir o empresário Paulo Guimarães, dono do grupo Meio-Norte, que possui emissoras de TV no Piauí e Maranhão em sociedade com Fernando Sarney, filho do senador José Sarney (PMDB-AP). O grupo também controla o Bingo Poupa-Ganha, com sede em Poá, na Grande São Paulo, e escritórios regionais em Campinas
Ribeirão Preto, Bauru e São José dos Campos.
"Há fortes elementos contra ele", apontou o deputado federal Antonio Carlos Biscaia (PT-RJ), que faz parte da comissão de quatro parlamentares enviada esta semana ao Piauí para investigações preliminares sobre o crime organizado no Estado. Biscaia não quis adiantar quais as provas reunidas pela CPI, mas afirmou que causou estranheza à comissão o fato de Guimarães ter enriquecido em pouco tempo. Os deputados querem ainda saber por que a sede da empresa foi transferida de Teresina para São Paulo. Segundo a deputada federal Laura Carneiro (PFL-RJ), sub-relatora da CPI, Guimarães já foi convocado, porque surgiu um Paulo Guimarães nas investigações realizadas pela comissão em Campinas, na semana passada. "Houve uma denúncia anônima de que essa pessoa seria sócia do William Sozza num shopping center em Ribeirão Preto, mas não temos certeza de que se trata do mesmo Paulo Guimarães", disse o deputado federal Pompeo de Mattos (PDT-RS), relator da parte de Campinas.
Sozza é um empresário paulista que faria parte do comando da quadrilha em Campinas. O Bingo Poupa-Ganha é patrocinador do Guarani Futebol Clube, cujo ex-presidente, Luiz Roberto Zini, foi apontado por testemunhas como outro sócio de Sozza num esquema de lavagem de dinheiro.
Numa reunião com delegados federais e civis, os deputados receberam um dossiê que aponta ligações entre o crime organizado no Piauí e no Maranhão, Ceará, Pernambuco e Acre. As investigações, porém, chegaram a levantar o contrabando de armas
mas não tráfico de drogas. No entanto, o colombiano Joaquín Hernando Castilla Jimenez, suspeito de integrar o Cartel de Cáli
que está preso em Fortaleza, revelou à polícia que o Piauí seria usado como rota do transporte da droga originada do Polígono da Maconha, em Pernambuco. O contato no Estado seria José Correia Lima, irmão do coronel José Viriato Correia Lima, apontado como chefe do crime organizado no Piauí.


