Brasília, 24 (AE) - A CPI do Narcotráfico decidiu hoje convocar a mineira Luciana Assis Mendonça, ex-amante do traficante Roni Peixoto, que seria o braço-direito de Fernandinho Beira-Mar em Minas Gerais. A CPI recebeu hoje denúncia de que Luciana está disposta a apresentar uma lista de parlamentares eleitos com o dinheiro do narcotráfico, policiais corruptos de Minas que recebem dinheiro dos traficantes e todo o esquema de distribuição de drogas no Estado.
O deputado Robson Tuma (PFL-SP) disse ser necessário receber com prudência a denúncia de envolvimento de parlamentares mineiros com o narcotráfico. Robson, no entanto, afirmou que o depoimento de Luciana pode ser muito importante para esclarecer como funciona o tráfico no Estado. A Assembléia Legislativa de Minas vem adiando a instalação de uma comissão local para investigar o crime organizado.
A denúncia que Luciana diz estar disposta a apresentar, segundo o relator da CPI do Narcotráfico, Moroni Torgan (PFL-CE)
poderá ser mais importante que os depoimentos de Alda Inês, ex-amante de Fernandinho Beira-Mar. "Estávamos atrás da amante errada", brincou Moroni.
A CPI do Narcotráfico já tinha algumas informações sobre esquema do tráfico de drogas em Minas, mas a convocação da testemunha só foi decidida a partir de uma reportagem publicada hoje no jornal "Estado de Minas", na qual Luciana faz várias revelações sobre o esquema do narcotráfico no Estado.
Luciana disse ao jornal que Fernandinho Beira-Mar controla o tráfico em Minas Gerais e é ligado a uma rede de policiais, que protege os negócios do traficante, e políticos mineiros, encarregados de lavar o dinheiro do narcotráfico. Segundo Luciana, o Comando Vermelho financiou a campanha política de vários deputados mineiros. A lista de pessoas envolvidas foi entregue ao juiz titular da Vara de Tóxicos e Entorpecentes em Belo Horizonte, Eli Lucas Mendonça.
Ela disse ainda ao jornal que Fernandinho Beira-Mar despejava 20 quilos de cocaína e crack por semana no Estado. Luciana declarou, ainda, que policiais do Departamento Estadual de Operações Especiais (Deoesp) teriam "facilitado" a fuga de Beira-Mar em troca de R$ 500 mil.
Ainda na entrevista, Luciana afirma que Roni utilizava os parentes como "mulas" e "aviões", as pessoas encarregadas de transportar a droga. Luciana afirmou ainda que certa vez ajudou a buscar no Rio 100 quilos de cocaína, na Favela da Rocinha. Segundo ela, Roni continua ajudando a controlar o tráfico em Minas, de dentro da Penitenciária de Contagem. Luciana disse que já fez a mesma denúncia a um policial federal de nome Sérgio, mas que este não tomou nenhuma providência.

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