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quarta-feira, 24 de novembro de 1999
Por Roberta Jansen 
Rio, 24 (AE) - A Polícia Civil está investigando 84 pessoas que estariam ligadas ao esquema de tráfico de drogas liderado por Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar. A quadrilha tem ramificações em pelo menos quatro estados e conta com empresas de transporte para trazer pasta de coca e armas do Paraguai ao Rio de Janeiro. De acordo com a polícia, somente com a venda de cocaína, o grupo movimenta R$ 3,2 milhões por mês.
As investigações mostram que Beira-Mar tem um forte esquema no Paraguai, onde contaria com o apoio de traficantes locais e até de integrantes do alto escalão do governo. A pasta de coca e as armas partem de caminhão de Ciudad del Este, passam pela Ponte da Amizade e chegam a Foz do Iguaçu, já no Brasil. De lá, vêm até o Rio de Janeiro pela Dutra, passando pelo Paraná, Mato Grosso do Sul e São Paulo - locais em que a quadrilha teria entrepostos. Já no Rio, há pontos-chave do trajeto em Barra do Piraí e Araras. Faz parte do esquema o suborno de policiais rodoviários pelo caminho.
Uma vez no Rio, a pasta de coca segue direto para a favela Beira-Mar, em Caxias, na Baixada Fluminense, reduto do traficante há dez anos. "O centro das operações dele é mesmo na favela", afirmou um dos encarregados pela investigação, que preferiu não se identificar. Da Beira-Mar, a droga é vendida para outras favelas cariocas, como Vigário Geral, Acari e Morro do Alemão. Para esse transporte, um dos esquemas do traficante é enviar a pasta de coca dentro de barras de gelo.
A polícia já conseguiu comprovar a ligação de Beira-Mar com a fábrica de gelo Bipolar, localizada na favela. Um livro de contabilidade da fábrica - encontrado em um apartamento de propriedade de Débora da Costa Rodrigues, irmã de Beira-Mar - mostra que a prestação de contas era feita a um homem chamado Alfredo, que não é sócio legal da fábrica. Segundo a polícia, Alfredo é um dos codinomes de Beira-Mar.


