Brasília, 24 (AE) - O advogado Hosen Azambuja, que defende o colombiano Joaquim Hernando Castilha Jimenez, disse hoje que seu cliente não é um traficante de drogas, mas um "estelionatário que sofre de gabolice juvenil", doença pela qual a pessoa "mente até acreditar nas próprias mentiras". O advogado disse que seu cliente teria sofrido "pressões" na Polícia Federal, em Fortaleza, para inventar mais uma mentira para a polícia, sobre suposto esquema de lavagem de dinheiro.
Ao convocar o colombiano, disse Azambuja, a CPI do Narcotráfico teria entrado "numa furada". O advogado disse que seu cliente já causou encrencas com a polícia e a Justiça outras vezes, por contar grandes mentiras. Segundo Azambuja, Jimenez foi condenado a dois anos e seis meses de prisão em Curitiba (PR), por oferecer US$ 1 milhão "por dia" a um delegado, no momento em que foi preso, em troca da libertação, segundo o advogado. "É óbvio que ele não tem este dinheiro", disse o advogado.
Segundo Azambuja, Jimenez fugiu faltando cumprir dois terços da pena. O advogado disse que há um laudo no processo instaurado contra Jimenez, que foi condenado por corrupção ativa
e que pedirá novo laudo a um especialista neste tipo de doença, para provar que seu cliente conta histórias diferentes constantemente.
Jimenez tem 35 anos e é economista, nasceu em Barranquilla
na Colômbia. Azambuja disse que seu cliente vem aplicando consecutivos golpes no País, em vários Estados, a partir de histórias fantasiosas. "Em vários locais onde passou ele nunca pagou contas de hotéis, conta de almoços e aluguel de carro", disse o advogado. "Ele sempre andou em lugares humildes, a não ser onde tinha alguém que ele estava enganando e que pagava esses lugares."
Azambuja disse que sua "tese" é de que seu cliente nunca foi ligado aos cartéis colombianos e nunca teria lavado dinheiro em bancos brasileiros. O advogado deixou claro que não conhece o cliente porque já ouviu histórias diferentes sobre o mesmo fato. "É um estelionatário que inventa histórias para se engrandecer", disse.
O advogado acredita que seu cliente tenha sofrido "pressões" em Fortaleza, antes de prestar depoimento, e ser estimulado a inventar uma nova história fantasiosa. Azambuja disse que a prisão de seu cliente só foi anunciada 30 dias depois que estava preso, quando teria passado a criar uma história. "Ele ficou um mês incomunicável antes de dizerem que estava preso", disse. "Tem lugares em nosso país que você declara o que não vê e o que não sente."
Azambuja ironizou a suposta prisão de um traficante colombiano sem documentos, no centro de Fortaleza. "Você acha que alguém que tem informação, que é importante, vai ser preso por que não tem documento?", questionou. Hosen Azambuja disse já ter defendido outros traficantes, por ser especialista nesta área, mas não revelou os nomes. Disse que nunca defendeu pessoas que seriam ligadas aos cartéis colombianos. O advogado, que tem escritório na Avenida Paulista, afirmou que foi procurado por Jimenez depois que este fugiu da cadeia, no Paraná.

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