Belo Horizonte, 24 (AE) - O deputado federal Milton Temer (PT-RJ) vai reeditar a disputa que manteve com seu colega José Dirceu pela presidência do partido, em 1997, convencido de que é preciso fazer um "inventário crítico" da trajetória petista. Para ele, o PT tem de definir o perfil estratégico da sigla sem abandonar o socialismo. "Se não, para que serve o PT?", pergunta. A seguir, os principais trechos da entrevista: Agência Estado - O PT terá de abrir mão de seu programa para chegar ao poder? Milton Temer - De jeito nenhum. Basta ver o que está acontecendo na Europa e o massacre daqueles que só olharam para o pragmatismo eleitoreiro, como o partido trabalhista inglês, o SPD alemão do chanceler Gerhard Schroeder e a democracia de esquerda na Itália. Depois que esses partidos se acomodaram à ordem, contrariando orientações estratégicas, perderam eleições regionais e até para o Parlamento europeu. O único partido na Europa que avançou foi o socialista francês, que não está liquidando o aparelho do Estado. AE - Mas há um embate sobre isso no partido. Como acabar com essa divisão? Temer - A linha unitária que o Lula (Luiz Inácio Lula da Silva, presidente de honra do partido) está pregando não pode ser imposta. Nenhuma das teses abre mão do socialismo, a não ser a do Genoíno (José Genoíno, líder do PT na Câmara). Essa linha é suicida e não passa no congresso do PT. A discussão tem de ser norteada pelo programa político, e não por opiniões de caciques. AE - Socialismo, no Brasil, não dá voto? Temer - Olha, o PT que diz sim já perdeu várias eleições. Agora, o José Dirceu e o Lula estão tentando puxar o debate para um pragmatismo eleitoreiro, quando não é por aí. O PT tem de mostrar sua cara, que não é a da moderação conciliatória. Se o PT for igual aos outros, para que serve o PT? O povo fica com o Ciro (Ciro Gomes, virtual candidato à Presidência pelo PPS) e com o Garotinho (governador do Rio).

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