Berlim, 24 (AE-AP) - Envolvido num suposto escândalo de corrupção em seu partido, a União Democrata-Cristã (CDU), o ex-chanceler Helmut Kohl pediu a palavra no Parlamento alemão para contestar as acusações e pedir uma rápida investigação.
"Não podemos permitir o lançamento de calúnias como essas neste plenário", esbravejou o ex-chanceler que governou a Alemanha durante 16 anos.
Os fatos, narrados pelo deputado Peter Struck, líder do governista Partido Social-Democrata (PSD), ocorreram durante a administração democrata-cristã. O partido teria recebido US$ 520 mil do governo da Arábia Saudita, para aplicar em campanha política.
"Peço-lhe que constitua imediatamente uma comissão parlamentar de inquérito", ressaltou Kohl em sua primeira intervenção parlamentar desde deixou o governo no primeiro semestre, derrotado pelo socialista Gerhard Schroeder. "Quero ser chamado para depor antes do Natal", acrescentou.
Struck anunciou para a semana que vem o início de uma investigação parlamentar,mas não prometeu convocar Kohl em dezembro. "O senhor pode ter a certeza de que será um dos primeiros a depor."
O dirigente socialista lembrou com uma pitada de ironia o que classificou de "grande experiência (de Kohl)" como testemunha, referindo-se aos depoimentos do ex-chanceler num escândalo de financiamento ilegal no início da década de 80.
A denúncia contra Kohl está sendo investigada pela Procuradoria- Geral da Alemanha. Ela fundamenta-se em declarações de um ex- tesoureiro da CDU, Walther Leisler Kiep, feitas durante entrevista a uma emissora de TV alemã - 3sat. Ele é a principal peça de um processo por evasão fiscal, relativa a "donativos" recebidos em 1991 de um comerciante de armas.
"Minha função dentro do partido era apenas conseguir dinheiro", disse o ex-tesoureiro, fazendo questão de destacar que toda a cúpula da CDU tinha conhecimento da origem das arrecadações, incluindo o ex-chanceler.
"Nem eu nem os dirigentes do partido tinham conhecimento disso", assegurou o ex-chancer, negando, com veemência, as declarações do ex-tesoureiro. Kohl desmentiu também a versão de que a CDU aceitou suborno, para facilitar a venda de 36 blindados à Arábia Saudita. "Vendemos os tanques porque os Estados Unidos pediram o apoio da Alemanha para expulsar as tropas do Iraque do Kuwait."
Volker Ruehe, ex-ministro da Defesa e ex-secretário-geral da CDU, atribuiu as denúncias a um ardil do SPD e seus aliados Verdes na coalizão governamental. "O que se pretende com essas insinuações é atingir a imagem de Kohl", acusou Ruehe, apontado como principal adversário de Schroeder nas eleições gerais de 2002.

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