Cairo, 24 (AE-AP) - Um alto funcionário do Ministério do Transporte do Egito, general Issam Ahmed, sugeriu hoje (24) que uma explosão derrubou o avião da EgyptAir que caiu no Oceano Atlântico no mês passado.
Segundo Ahmed, que chefia um programa de treinamento de vôo do governo, os técnicos egípcios colaborando com a investigação nos Estados Unidos deveriam ficar atentos contra tentativas americanas de mostrar que o avião teria caído em vista de ações - acidentais ou voluntárias - de alguém a bordo. Morreram no acidente de 31 de outubro 217 pessoas.
Esta é a primeira vez que uma alta autoridade egípcia diz publicamente que uma explosão pode ter derrubado o Boeing 767, apesar de tal cenário ser amplamente especulado no Egito. Investigadores dos EUA haviam no início de seus trabalhos descartado uma explosão, e disseram recentemente que não havia ainda evidências de que problemas mecânicos ou fenômenos meteorológicos tenham causado a tragédia.
Ahmed, que é um especialista em acidentes aéreos, disse que os técnicos egípcios deveriam concentrar a investigação na cauda do avião, que "contém o mistério do acidente" e não sucumbirem aos esforços "para levar o público a aceitar o que eles (os americanos) querem impôr, que é a teoria de suicídio".
Ele disse que as caixas contendo os dados de vôo e a gravação de vozes, as chamadas caixas-pretas localizadas na cauda, foram severamente danificadas.
"Isto confirma que a cauda do avião... foi sujeita a uma explosão a 10 mil metros de altura. Tratou-se de uma explosão interna ou externa", afirmou Ahmed numa entrevista, indicando que acredita que um míssil ou uma bomba derrubou o aparelho.
Para ele, o Boeing começou a cair de 33 mil pés (10 mil metros) com os motores operando em capacidade total e a uma velocidade acima do limite máximo. Os motores foram desligados à altura de 21 mil pés (6.363 metros).
As caixas pretas pararam de gravar os dados do vôo à altura de 16.400 pés (4.969 metros).
Fontes próximas aos investigadores americanos sugerem que o co- piloto Gameel El-Batouty induziu o mergulho do avião quando estava sozinho no comando da aeronave e que o piloto, Ahmed El-Habashy, correu à cabine para tentar recuperar altura, de acordo com as gravações das caixas.
Ahmed não confirma esses fatos, dizendo que as gravações indicam que alguma coisa aconteceu longe da cabine de comando. Os dois pilotos teriam tomado as decisões corretas, incluindo desligar o piloto automático e os motores na tentativa de controlar o avião.
Na segunda-feira, o ministro dos Transportes do Egito, Ibrahim El- Dumeiri, também refutou as hipóteses de erro humano como causa da queda do avião.





