São Paulo, 24 (AE) - Uma possível "namorada" do padre Georges Youssef Saliba - preso no domingo à noite por tráfico internacional de drogas - foi levada hoje ao 34.º Distrito Policial para prestar esclarecimentos. Durante a madrugada, Marília Cássia Teixeira, de 29 anos, grávida de sete meses, retirou pertences da casa que dividia com o padre e os colocou em dois carros, com a ajuda de um primo. Avisada por um telefonema anônimo, a polícia foi ao local - no Jardim Lúcia, zona sul - e conduziu os dois ao distrito.
De acordo com o delegado titular do 34.º DP, José Roberto dos Santos, foram apreendidas agendas, um computador, disquetes, passagens aéreas para a Europa e fotos. "Ela diz que era apenas amiga do padre, mas há fotos que provam que havia um envolvimento amoroso."Marília disse à polícia que é vendedora. Ela admitiu que morava no local e alegou ter retirado seus pertences porque pretendia mudar-se para a casa da mãe. A versão foi confirmada pelo primo e os dois foram liberados, por volta das 7h30.
Saliba foi preso domingo à noite,com 11 quilos de cocaína, quando embarcava para Portugal, no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Cumbica, Guarulhos. Ele disse à Polícia Federal que recebia US$ 30 mil por viagem feita para transportar drogas. A de domingo seria a quinta em que ele estaria traficando entorpecentes. Saliba contou que mantinha uma creche com o dinheiro. Mas deu como endereço da instituição o da Paróquia São Miguel Arcanjo, onde não há creche. No local, um pároco, limita-se a dizer que a capela não tem qualquer ligação com as contravenções de Saliba.
De acordo com informações divulgadas pela Cúria Metropolitana de São Paulo, Saliba é libanês, tem 47 anos e foi ordenado em seu país em 1979. Um ano depois, já estava no Brasil. Aqui, era padre do rito greco-melquita, uma "divisão" da Igreja Católica.
Heroína - Em maio de 1990, Saliba foi preso em Sidney, na Austrália. De acordo com informações do Vicariato de Comunicação da Cúria Metropolitana, ele havia saído do Brasil com 1 quilo e meio de heroína. Ficou preso durante quatro anos. Entre colegas de trabalho, o padre era considerado uma pessoa "simpaticíssima", agradável, disposta a ajudar. "Ele era bem legal com a gente", contou um coroinha que trabalhou com Saliba na Paróquia São Miguel Arcanjo.
O padre também causou boa impressão nos primeiros anos de trabalho - no fim da década de 70 - na igreja Nossa Senhora do Paraíso. Um padre que trabalhou com Saliba disse que, até 1982, ele era "incrível". "Era uma pessoa magnífica, sempre correndo para ajudar todo mundo."
Família - O colega contou que Saliba mudou de atitude quando sua família chegou ao Brasil, vinda do Líbano. "Ele passou a se preocupar demais com dinheiro", relembrou. "Começou a celebrar cerimônias para as quais não estava habilitado, como casamentos de pessoas separadas e batizados; tudo para ganhar dinheiro." Segundo o padre, Saliba era vaidoso
andava sempre perfumado e de batina. "Usava isso para influenciar, para abrir caminhos."
O padre também afirmou ter sido contra a readmissão de Saliba pela diocese greco-melquita. A decisão de recebê-lo depois da prisão teria sido tomada pelo bispo d. Pierre Mouallem
que está em Israel desde julho de 1998.

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