São Paulo, 24 (AE) - O presidente do Sindicato dos Médicos de São Paulo, José Erivalder Guimarães de Oliveira, e representantes do movimento popular de saúde dizem que a falta de medicamentos nos postos de saúde e nos hospitais de São Paulo é "generalizada" e não apenas restrita ao Hospital das Clínicas (HC), como alega a Secretaria de Estado da Saúde.
Segundo eles, a escassez atinge tanto a rede municipal quanto a estadual. "Recebemos reclamações diárias de médicos e pacientes", comenta Oliveira.
No bairro de Ernelino Matarazzo, zona leste da capital, para suprir a falta de remédio, a comunidade organizou uma "farmácia popular" na Igreja São Francisco, abastecida por meio de campanhas entre os moradores, para atender às pessoas receitadas.
"Estamos cumprindo um papel que é do Estado", diz Antônio Luiz Marchioni, o padre Ticão. Na zona sul, no dia 30, o conselho gestor se reunirá para discutir a falta de remédio, especialmente os indicados para diabete e pressão alta.
"Quem mais reclama são os aposentados", diz Walmelírio dos Santos, do movimento de saúde da região.
Oliveira, do sindicato, diz que a falta de remédios na rede estadual costuma ser cíclica. "Há sempre um grupo de medicamentos faltando", diz ele.
A novidade, acrescenta, é que o grupo dos "faltosos" está aumentando cada vez mais. No Hospital Vila Penteado, segundo as denúncias, faltam antibióticos.
O Hospital Regional de Osasco, por exemplo, já chegou a ficar sem gesso para fazer imobilização e sem dipirona (novalgina).
O que os médicos mais denunciam ao sindicato, em relação aos hospitais, é a falta de xilocaína (anestésico) e de ocitocina (remédio utilizado para induzir partos normais).
Em alguns casos, faltariam até luvas cirúrgicas. "É muito comum o paciente ou o médico mandar comprar um medicamento que está faltando", diz Oliveira.
"Se falta remédio no HC, que é prioridade do governo do Estado, imagina no resto."
Caso a caso - A aposentada Nilda Cesário Abreu, por exemplo, jamais conseguiu receber na farmácia do Posto Paulo Eiró, zona sul, o remédio receitado para o filho, Sérgio, vítima de doença mental.
"A farmácia nunca tem amplictil", diz ela. "Já virei um mundo de postos e nunca encontro esse remédio."
Osmar Mikio, coordenador de saúde da Grande São Paulo, afirmou
por meio da Assessoria de Imprensa da Secretaria de Estado da Saúde, que a falta de remédio não é generalizada e deve ser investigada caso a caso.
O médico Cid Cavalhares, do posto da Consolação, diz que o estoque de remédios não é regular. "Às vezes tem o medicamento, mas não em quantidade suficiente; as pessoas têm de retornar várias vezes ao posto para conseguir o remédio", diz.
Na rede municipal, segundo as denúncias, os hospitais onde mais faltam medicamentos são o Menino Jesus, do Jabaquara e do Tatuapé. A Secretaria Municipal da Saúde informou por meio de sua Assessoria de Imprensa que é necessário ter a lista dos remédios em falta para investigar o motivo da escassez.

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