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quarta-feira, 24 de novembro de 1999
Por Gláucia Leal 
São Paulo, 24 (AE) - Um encontro entre um grupo de moradores do Guarujá, na Baixada Santista, que protestavam contra a instalação de uma unidade da Fundação do Bem-Estar do Menor (Febem) no centro e o governador Mário Covas terminou em confusão no Palácio dos Bandeirantes, hoje à tarde. Depois de conversar durante alguns minutos com os manifestantes, Covas, irritado com as cobranças, deixou o salão sob gritos de "volta aqui, fujão".
O prédio do Instituto Santa Emília, no Guarujá, passa por reformas para abrigar 72 adolescentes infratores, hoje confinados em outras unidades da Febem. O imóvel fica na Avenida Ademar de Barros, uma das principais do município, que liga o atracadouro de balsas ao centro. Segundo a assessoria de imprensa do governo, o fim da obra está previsto para janeiro.
Covas saiu quando o professor universitário Luís Carlos Romazzini disse que ele estaria "divagando" em suas respostas. Chegou a fazer menção de voltar duas vezes, antes de deixar definitivamente a sala. "Eu não quis agredir o governador, mas a cidade não tem condições físicas de abrigar os adolescentes infratores no centro da cidade e queríamos uma resposta", disse Romazzini.
Exaltados, integrantes do grupo continuavam gritando e pedindo a presença do governador, até que cerca de 30 homens da PM conduziram os moradores para a parte de fora do Palácio.
Irregularidade - A aposentada Maria Laudicéia de Souza, de 64 anos, voltou para casa insatisfeita. "Se a Febem for para a cidade, a violência vai aumentar", acredita. Em abril, sua neta de 14 anos foi estuprada e morta por três menores. O coletor de lixo Magno Alves dos Santos, de 27 anos, perdeu o dia de serviço para participar da manifestação. "A gente não pode ficar de braços cruzados."
De acordo com o vereador José Nilton Lima de Oliveira (PRP), que acompanhou a manifestação, o ideal seria que a unidade fosse construída em uma área rural, longe das vias de acesso e da região central. Ele defende que seja adotado um modelo de reeducação para jovens infratores com base no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA)."A cidade é turística; uma instituição como as que já não deram certo em São Paulo pode comprometer a economia do município", disse Oliveira.
De acordo com o vice-prefeito Manoel Ramos, a reforma do prédio para abrigar a entidade está sendo executada de forma irregular, sem licença da prefeitura. "Tentamos três embargos, mas não conseguimos nada por enquanto." No início do mês, foi solicitada a suspensão da obra por meio de uma liminar, mas o pedido foi negado pela Justiça.
Distância - O prefeito Maurici Mariano (PTB) chegou a oferecer um terreno para a construção da unidade da Febem, às margens da Rodovia Piaçaguera-Guarujá. A oferta, segundo Ramos, teria sido ignorada pelo governo estadual e também não agradou aos manifestantes. Eles pedem que a entidade fique ainda mais distante da área de acesso.
O presidente da Associação Comercial da cidade, Heitor Gonzalez, disse que o objetivo da manifestação é mostrar ao governador Mário Covas (PSDB) que o projeto é um equívoco. "Se ele insistir nessa idéia estará cometendo um erro, já que o prédio que está sendo reformado para o recebimento dos menores não atende à proposta de recuperação dessas crianças e adolescentes."


