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quarta-feira, 24 de novembro de 1999
Por Nelson Francisco 
Cuiabá, 24 (AE) - A sede do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) em Cuiabá foi invadida na madrugada de hoje por cerca de 350 integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). O superintendente do órgão dispensou os 200 funcionários por falta de condições de trabalho. Os sem-terra são de várias regiões e cidades do Estado
como Rondonópolis, Cáceres, Campo Verde, Pedra Preta, Tangará da Serra e Baixada Cuiabana. Eles exigem vistorias nas áreas ocupadas, desapropriação das fazendas já vistoriadas, posse das terras negociadas e alimentação para os acampados.
Segundo o MST, desde julho o governo federal não manda cesta básicas para os acampamentos. Os coordenadores do movimento no Mato Grosso afirmam que só desocuparão o prédio por decisão judicial ou acordo com o Incra. O superintendente do Incra, Clovis Cardoso disse que só vai negociar com os sem-terra depois que o prédio for desocupado. Ele deve dar entrada amanhã em ação de reintegração de posse na Justiça.
De acordo com um dos coordenadores do MST, Osmar Tolomeu
900 famílias da região de Cáceres, 800 dos arredores de Rondonópolis e 160 da Baixada Cuiabana estão à espera de terra para plantar. Uma das reivindicações dos trabalhadores diz respeito à faixa de fronteira da região de Cáceres, uma extensão de terra de 200 quilômetros a partir da divisa do Brasil com a Bolívia. "A área em Cáceres corresponde a 2 mil hectares de terra e deveria ser povoada", afirmou.
O coordenadro explica que a faixa é título do governo federal e que deveria ser empregada na reforma agrária, porém o governo estadual tomou posse das terras, titularizou e vendeu a grandes fazendeiros . "Isso é ilegal, contraria a lei federal" argumentou.


