Rio,24 (AE) - O tradicional bairro de Santa Teresa, na zona sul do Rio, famoso por conservar traços do Rio antigo, como os bondes, será pela oitava vez cenário da mostra "Arte de portas abertas", no próximo fim de semana.
Oitenta e cinco artistas plásticos abrirão seus ateliês para os visitantes durante todo o dia, transformando o bairro em uma galeria ao ar livre. A novidade deste ano será a exposição de trabalhos de vinte artistas nas ruas, largos, escadarias e ladeiras de Santa Teresa. Os artistas mostrarão obras de arte feitas com diversos tipos de materiais e em diferentes estilos.
No Parque das Ruínas haverá o debate Patrimônio, arte e memória, com participação de artistas renomados como Carlos Vergara. E ainda uma oficina de papel, na qual o público poderá criar objetos a partir das obras deixadas pelo artista Paulo Roberto Leal, morto em 1972. Um dos expoentes da arte contemporânea brasileira, Leal será homenageado com uma mostra de alguns de seus trabalhos.
O escultor baiano José Andrade Santos, de 47 anos, considera a mostra "uma bênção". "Acontece tanta coisa triste nessa cidade que a gente precisa de boas notícias de vez em quando para elevar nossa auto-estima", diz o artista. A fim de mostrar sua arte, Santos veio para o Rio em 1972, e escollheu Santa Teresa para morar por achar que o bairro o inspira a criar
já que o faz relembrar sua terra natal. "Tudo aqui se parece com cidades antigas pelas quais passei, como Olinda e Salvador"
explica. "Me sinto em casa".
Santos faz peças de cerâmica, bronze e fibras e também pinturas. Entre as obras, destacam-se caricaturas de personagens como Vinícius de Moraes e Manuel Bandeira, que são um sucesso de venda em livrarias da zona sul da cidade.
O pintor Paulo Alcântara terá sua instalação "Jardim futurista" exposta no Largo do Guimarães, próximo à travessa onde fica seu ateliê, que, como os outros incluídos na mostra, estará aberto ao público das 11 às 20 horas, nos dias 27 e 28.
Alcântara, que participa do evento desde sua segunda edição, gosta da idéia de abrir sua casa à visitação. "É maravilhoso ver as pessoas admirando minhas peças no meu local de trabalho porque me sinto mais próximo delas", diz.

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