Curitiba, 24 (AE) - A União Democrática Ruralista (UDR) está organizando para o dia 8 uma grande manifestação em Nova Londrina, a 580 quilômetros de Curitiba, na região noroeste do Paraná. O objetivo, segundo a assessoria de Imprensa da entidade
é "mostrar que os proprietários rurais também têm organização". Esta semana, os fazendeiros desocuparam duas fazendas invadidas por sem-terra na região noroeste, utilizando seus próprios seguranças.
Durante solenidade hoje, em Curitiba, o governador do Paraná, Jaime Lerner (PFL), repetiu que o governo vai cumprir as reintegrações de posse já emitidas no Estado. De acordo com o assessor especial de Assuntos Fundiários, Antonio Carlos da Costa Coelho, há 54 propriedades com reintegração de posse expedida, mas o governo vê como prioritárias para a retirada dos sem-terra apenas 24 delas, por serem comprovadamente produtivas.
"A ação da polícia, vocês vão ver, vai acontecer, vamos fazer com que se cumpra a lei no nosso Estado", afirmou o governador. "Mas nós não temos todas as respostas do processo"
acrescentou. "É importante que se diga que, se houver mais resposta em relação aos assentamentos, com certeza nós teremos menos invasões." Hoje o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e o Movimento dos Sem-Terra (MST) retomaram as discussões sobre assentamentos. O Incra quer assentar 1,2 mil famílias em 26,5 mil hectares até o fim do ano.
Desocupações - No último domingo, por volta das 6 horas da manhã, aconteceu a primeira desocupação feita pelos fazendeiros. Um grupo de 70 famílias de sem-terra, que tinham ocupado a Fazenda Santa Rosa, em Marilena, no dia anterior, foram expulsos da área. Durante a ação, a sem-terra Francisca Pereira dos Santos, de 56 anos, foi ferida com um tiro nas costas. Ela passou por uma cirurgia e está se recuperando na Santa Casa de Paranavaí. Carros, motos e barracas dos sem-terra foram queimados pelos seguranças da fazenda.
Ontem, às 17 horas, novamente os fazendeiros organizaram-se para realizar nova desocupação. Desta vez na Fazenda Novo Horizonte, em Nova Londrina, que estava ocupada desde o início do ano. De acordo com o MST, 16 famílias estavam na área, que tem decreto de desapropriação para interesse social
mas o documento está sendo contestado na Justiça. A UDR afirmou hoje que os proprietários rurais que quiserem cumprir reintegração de posse terão o "apoio moral" da entidade.
O assessor especial do governo para Assuntos Fundiários afirmou que a polícia reforçou o efetivo na região para "evitar conflitos". Um destacamento está circulando entre as fazendas do noroeste. Segundo Antonio Coelho, as pessoas que forem identificadas entre as que fizeram as desocupações serão indiciadas em inquérito instaurado em Paranavaí. Os líderes do MST da região noroeste não estavam hoje na sede da entidade.

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