Brasília, 24 (AE) - A TV Senado e a TV Câmara, que atualmente são transmitidas apenas por TV a cabo e via satélite, poderão ser sintonizadas em canal aberto UHF a partir do ano que vem. As emissoras passarão a ter sede própria, nas proximidades de Brasília, de onde serão feitas as transmissões com potência para atingir o Distrito Federal e entorno. No restante do País, as Câmaras de Vereadores poderão retransmitir a programação, que será captada também por antena parabólica. Convênio firmado hoje entre o Senado e o Ministério da Educação (MEC) prevê a veiculação de programas da TV Senado pela TV Escola do MEC e vice-versa, a começar em janeiro.
O investimento do Senado para criar a emissora UHF (canal 51) chega a R$ 1 milhão, incluindo a compra do transmissor e a construção do prédio. O terreno foi cedido pelo governo do Distrito Federal, depois que a instalação de uma antena de 15 metros no topo do prédio do Congresso sofreu restrições por motivos estéticos e de conservação do patrimônio.
Segundo o diretor da Secretaria de Comunicação Social do Senado, Fernando Cesar Mesquita, 2 mil Câmaras Municipais já demonstraram interesse em instalar estações retransmissoras. A TV Senado deve ir ao ar, em sinal UHF, a partir de março. No caso da TV Câmara, o objetivo é atingir o DF e disponibilizar o sinal para os cerca de 7 milhões de antenas parabólicas espalhados pelo País. O sinal UHF estará disponível no segundo semestre.
Para atender ao novo público, a TV Senado vai lançar programação dirigida aos municípios. A idéia é abordar diariamente assuntos orçamentários e leis de interesse direto dos legislativos e administrações municipais, no horário das 6 às 9 horas. Está em estudo ainda a possibilidade de as Câmaras de Vereadores incluírem até 30 minutos de programação diária local na retransmissão da TV Senado.
Mas os investimentos em comunicação não estão restritos à TV. Em março deve ir ao ar a emissora de rádio AM, reproduzindo a programação da atual Rádio Senado FM - que é sintonizada apenas num raio de 200 quilômetros em volta do Distrito Federal. Segundo Mesquita, a vantagem da emissora AM é levar o sinal da Rádio Senado a todo Brasil. O transmissor AM vai custar R$ 500 mil e está prevista a veiculação de programas dirigidos às diferentes regiões do País.
"Há desinformação sobre o trabalho do Senado e da Câmara", disse Mesquita, defendendo a expansão dos serviços de informação do Congresso. "É um serviço que se presta à democracia." Mesquita afirmou que não haverá contratação de pessoal para as novas emissoras de TV em UHF e de rádio AM.
TV Escola - A TV Escola do MEC, que atinge cerca de 30 milhões de alunos da rede pública e 1 milhão de professores, vai transmitir programas da TV Senado. Serão veiculadas produções sobre a atuação do Legislativo, explicando em linguagem acessível aos alunos o trabalho das Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) e o funcionamento do Congresso.
Já a TV Senado vai veicular nos fins de semana, a partir de janeiro, programas educativos de ecologia, história e geografia. "Um bom ensino não se resume às coisas formais do currículo", disse o presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães, ao assinar convênio com o ministro da Educação, Paulo Renato Souza.

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