Brasília, 24 (AE) - Acordo fechado ontem com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária permite que bebidas energéticas voltem a ser comercializadas no mercado brasileiro. Em compensação, os fabricantes terão um prazo de 60 dias para lançar novo produto adequado à portaria nº 868/98, que exige, entre outros itens, a comprovação dos alegados efeitos escritos na embalagem: "energético", "estimulante", "potencializador", "melhora do desempenho" e outros.
Com essa decisão, fica suspensa a apreensão das bebidas produzidas pela Red Bull do Brasil Ltda, Red Eyes, Outer Bounds, Flying Horse, Flash Power, Extasis, Ecstasy, Burst, Blue Jeans e Viper, que havia sido determinada pela agência de vigilância. Essas marcas foram acusadas pela vigilância de não cumprirem a portaria e também de não colocarem em negrito frases advertindo que "idosos e portadores de enfermidades devem consultar o médico antes de consumir o produto".
Algumas das empresas, segundo a agência, continham quantidade de vitaminas em dobro à da ingestão diária recomendada, infringindo o Regulamento Técnico para Fixação de Identidade e Qualidade de Suplementos Vitamínicos e de Minerais.
Daqui a dois meses os fabricantes deverão fazer o "recall" nos pontos de venda, para trocar os atuais produtos temporariamente liberados pelos novos ajustados às portarias da vigilância sanitária. O diretor-geral da Red Bull, Otto Karger, disse hoje que vai cumprir o acordo e retirar do rótulo da embalagem a expressão "energético para situações de esforço ou desgaste" do novo produto que lançará no mercado, mas explica que continuará batalhando para que o seu produto seja comercializado com essa propaganda.
Karger informa que em novembro do ano passado entregou estudos científicos para atender as exigências da vigilância, mas que até agora não foram analisados. "O Ministério não teve tempo para olhá-los", lamenta, realçando que a empresa fez a sua parte. Ele diz ainda que o produto da Red Bull é vendido em 40 países há 15 anos e que nunca tiveram problemas como o enfrentado agora no Brasil. E que vão reduzir a quantia de vitamina B12 especialmente para os brasileiros, enquanto a vigilância não analisar os estudos apresentados mostrando que a vitamina é hidrosolúvel e que em caso de excesso no organismo é eliminada pela urina.

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