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quarta-feira, 24 de novembro de 1999
Por Marcelo Godoy 
São Paulo, 24 (AE) - O investigador Fernando Lopes Areosa, acusado de ser o encarregado de recolher a propina obtida com fraudes em postos avançados do Departamento Estadual de Trânsito (Detran) de São Paulo negou, em depoimento no grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), saber da corrupção. Negou também ter conhecimento de que havia dinheiro nos envelopes que ele recolhia.
Segundo o advogado Ivan Lacava Filho, Areosa passava nos postos para entregar os envelopes cumprindo ordens de seus superiores. Segundo Lacava Filho, para seu cliente foi dito que, nos envelopes, havia certificados de registro de veículos. Na sexta-feira, os promotores pretendem fazer uma acareação entre Areosa e as pessoas que o estão acusando. O delegado Antônio Mestre Junior disse que caso os despachantes acusem algum dono de veículo, será chamado a depor.
A investigação do esquema de corrupção no Departamento Estadual do Trânsito (Detran) identificou cinco policiais civis e sete despachante e dois ex-despachantes suspeitos de envolvimento com o esquema de corrupção no órgão. Dois policiais civis, um despachante e um ex-despachante tiveram a prisão temporária decretada por cinco dias pela Justiça. O esquema foi denunciado na semana passada após uma reportagem do Jornal da Tarde, que licenciou dois carros, um deles sem motor. Outros 12 funcionários do departamento foram afastados pela direção do órgão, porque já vinham sendo investigados pela Corregedoria do Detran.
A força-tarefa formada pelos promotores do Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco) e pela Polícia Civil já descobriu a existência de uma verdadeira tabela da propina no Detran. Isso foi obtido por meio do depoimento do ex-despachante Willian Lacerda. Ouvido na semana passada após ter a prisão temporária decretada, Lacerda confirmou que funcionários do Detran recebiam de R$ 30,00 a R$ 50,00 para fazer vistas grossas na vistoria de carros. Cada funcionário faz de 40 a 60 vistorias por dia no órgão.
Para fazer o desbloqueio de multas a fim de licenciar o carro sem pagá-las, o que é irregular, esses funcionários cobravam 10% do valor das multas - o despachante ficava com outros 10% de comissão pelo serviço. Com isso, a informação sobre as multas sumia dos computadores do Detran por até 15 dias
tempo em que era feito o licenciamento do veículo.
Para licenciar carros sem que o Imposto Sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) atrasado fosse recolhido pelo proprietário do carro, era cobrada a mesma comissão de 10%. A força-tarefa também apura o esquema de fraude no fornecimento de fotocópias autenticadas dos documentos de propriedade dos veículos e na liberação de carteiras de habilitação.


