PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 24 de novembro de 1999
Por Ana Paula Nogueira e Gustavo Alves 
Rio, 24 (AE) - O diretor de finanças e relações com investidores da Varig, Michael Conolly, garantiu hoje que a empresa não vai fundir-se com outra no ramo. Conolly deu palestra na Associação Brasileira dos Analistas do Mercado de Capital no Rio (Abamec-RJ), para "provar" que a empresa já se adequou à crise do setor, provocada pela desvalorização."A empresa não tem necessidade de entrar nesse plano de reestruturação do setor aéreo".
Conolly afirmou que a companhia sequer conversou sobre o assunto com as suas competidoras brasileiras - a Vasp, a TAM e a Transbrasil. Se houver fusão de outras empresas, como a TAM e a Transbrasil, será uma boa notícia para todo o setor aeronáutico, na opinião do diretor, na Varig desde março. A medida, explicou, significaria a redução de oferta de vôos, e sua adequação à demanda, que caiu com a alta do dólar.
"Para mim, o único argumento lógico para uma fusão é a redução da quantidade de vôos para adequar a demanda", disse Conolly. "Se isso acontecer, vai ser bom para todo mundo." O diretor financeiro lembrou que a Varig, apesar de ter a maior participação do mercado, já realizou esta diminuição de oferta - um dos motivos pelo qual não precisa mais associar-se.
Na opinião de Conolly, o mercado interno pode comportar quatro companhias nacionais, mas não faz sentido que as quatro disputem o mercado externo. "Para quê termos duas empresas voando para a Espanha ou França se só tem uma voando para cá?", questionou, citando um exemplo de competição predatória.
Empréstimo - O diretor afirmou que a empresa não vai discutir fusão mesmo se a medida for uma condição para que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprove empréstimo pedido pela Varig neste ano. "Se o BNDES condicionar o empréstimo, acabou a conversa", afirmou. "Não estamos lá (no banco) para se fundir com ninguém".
O pedido inicial da Varig era de US$ 400 milhões. O dinheiro, se for aprovado, será usado não em investimentos, mas na troca do perfil de parte da dívida da companhia, de R$ 1.994 bilhão. "O objetivo não é aumentar o endividamento, mas substituir dívidas mais caras ou com vencimentos mais curtos", explicou Conolly. Ele informou que, mesmo se o volume não for aprovado, o fluxo de caixa da empresa garante a sua situação financeira.
O diretor de finanças disse que outras medidas foram adotadas para reduzir o endividamento de curto prazo da Varig. Em novembro, foram pagos R$ 19 milhões desse tipo de débito captado no Brasil,, cujo valor total é de R$ 143,6 milhõe, a custos entre 12% e 42% de juros. A dívida de curto prazo no exterior, com juros entre 12% e 16%, é de R$ 79,6 milhões.
Os financiamentos de longo prazo, de R$ 1,7 bilhão ao todo, foram renegociados neste ano, afirmou o diretor. O objetivo, esclareceu, é "adequar o vencimento desses papéis ao nosso fluxo de caixa". Conolly disse que, no ano que vem, R$ 302 milhões da dívida estarão vencendo - e no ano seguinte, esse volume de abatimento chegará a R$ 205 milhões. O diretor admitiu que este ano "será terrível" para a Varig, por causa dos custos para a reestruturação gerada pela desvalorização cambial, que também causou redução da demanda, entre outros fatores.


