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quarta-feira, 24 de novembro de 1999
Por Renata de Freitas 
São Paulo, 24 (AE) - O Unibanco está realizando hoje a segunda bateria de testes de prevenção do bug do milênio, simulando operações que estariam acontecendo no dia 10 de janeiro do ano 2000. Os preparativos do banco já incluíram a revisão de 41 milhões de linhas de código e a substituição de 1.326 microcomputadores. Mas os investimentos de R$ 60 milhões desde 1997 não garantem funcionamento 100% na virada do ano.
Dois problemas estão sendo considerados: se ocorrer o bug, as agências poderão ter de voltar ao velho papel; por outro lado, mesmo sem falhas, a demanda por serviços pode ser tamanha que o Unibanco mobilizou quatro mil funcionários para o plantão do reveillon. "O sistema financeiro é o que teve que se preparar mais", afirmou o diretor de marketing, Geraldo Travaglia Filho. Para ele, todo o investimento que foi feito até agora é como o seguro de um carro - mesmo achando que nada vai acontecer, o motorista contrata um. "E não vai reclamar depois com a seguradora se não sofrer um acidente", ironizou.
Mesmo assim, ele admitiu que uma falha nos sistemas pode trazer de volta o meio papel para as agências bancárias. Os funcionários do Unibanco passarão a ser treinados em dezembro para os planos de contingência, que incluem tirar das gavetas as fichas com assinaturas dos correntistas para checar autenticidade dos cheques. "As agências eram assim há vinte anos", comentou. E, se o papel voltar, haverá filas. Para tentar minorar o problema, vai haver reforço de pessoal nas agências. Na central de atendimento do Banco 30 Horas, à meia-noite do dia 31 de dezembro será tratada como às 10 horas de uma segunda-feira, horário de pico do serviço.
"Acho que não vai acontecer nada com o bug em si, mas vai aumentar a demanda dos clientes", disse o diretor de marketing. Na central do 30 Horas, estarão de plantão na virada do ano 400 atendentes. No reveillon de 1999 eram apenas 14 funcionários. Das chamadas para a central, 13% em média são respondidas por atendentes.
O diretor-executivo de Informática do Unibanco, Élio Boccia, informou que só no sistema de segurança foram checados 1.457 ítens. Segundo ele, haveria cofres que ficariam fechados para sempre se os sistemas não tivessem sido atualizados. "Esperariam o ano 1900 para abrir", comentou. O bug é uma falha dos sistemas mais antigos que consideravam apenas dois dígitos para a definição do ano, assim, 2000 seria lido como 1900.
O projeto do bug do milênio do Unibanco inclui testes para o ano bissexto, que também ocorre em 2000. Entre as medidas preventivas está a antecipação das folhas de pagamentos de empresas clientes do banco. Segundo Boccia, créditos que aconteceriam a partir de 1º de janeiro serão processados antes da virada do ano. "Muitas empresas estão se antecipando à nossa proposta", afirmou.
Boccia garante que o dinheiro não vai sumir das contas e desestimula a corrida aos bancos para a emissão de extratos no dia 31 de dezembro. Ele observou que o Banco Central exige o registro e armazenamento dos dados por seis meses. Para tanto, o Unibanco comprou cinco mil cartuchos de fitas magnéticas extras, com capacidade de 2,4 megabytes cada. O diretor de informática do Unibanco alerta que problemas de cálculos podem acontecer, como o da CPMF. "Mas esse risco é facilmente detectável e o banco pode corrigí-lo no dia seguinte", disse. Ele acredita que o grande teste dos sistemas será na madrugada de 4 de janeiro, quando todos os bancos vão estar rodando o processamento da compensação do primeiro dia útil do ano 2000.


