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quarta-feira, 24 de novembro de 1999
Por Soraya de Alencar 
Brasília, 24 (AE) - Advertência ao Bradesco, arquivamento de processo contra o Itaú e aplicação de uma multa de US$ 219 mil ao Boavista-Interatlântico. Este foi o resultado do julgamento pelo Conselho de Recursos do Sistema Financeiro Nacional (CRSF), hoje, de processos envolvendo fraudes cambiais. A pedido do Banco Central, oito processos, também envolvendo fraudes cambiais, foram retirados de pauta. "Queremos estudar cada um deles com mais calma", argumentou o representante do BC no CRSF, Waldir da Silva.
No caso do Boavista-Interatlântico a pena foi aplicada porque os conselheiros consideraram que houve "negligência" por parte da instituição. Os advogados do banco garantiram, entretanto, que pretendem recorrer da multa na Justiça. As operações consideradas fraudulentas foram realizadas em 1989 e somente seis anos depois foram detectadas pelo Banco Central e aberto o processo. "O Boavista-Interatlântico, assim como o Banco Central, foi logrado", argumentou o relator Hélio Ramos Domingues, defendendo o arquivamento do processo.
O CRSF considerou, no entanto, que houve negligência da instituição duas vezes: primeiro porque havia assinaturas diferentes na papelada assinada pelos contratantes da operação e
também, porque o banco não manteve sob o seu controle o cartão de assinaturas dos envolvidos.
Em relação ao caso do Bradesco, o entendimento dos conselheiros foi o de que, assim como outras instituições, o banco foi usado por empresas. Na época, também em 1989, com a diferença de até 150% entre o dólar comercial e o paralelo, as empresas compravam a moeda americana no mercado interno, enviavam para o exterior e reingressavam com o dinheiro para vender no paralelo. De acordo com o relator, Raymundo Magliano Filho, a penalidade de advertência está bem aplicada. Com a decisão, a instituição escapa do pagamento da multa de US$ 410 mil que havia sido imposta pelo BC.
O arquivamento do processo contra o Itaú foi decidido porque, segundo entenderam os conselheiros, a fraude cambial no valor de US$ 420 mil foi montada por dois funcionários que, uma vez descobertos pela diretoria, foram punidos com demissão pela instituição.


