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quarta-feira, 24 de novembro de 1999
Por Cláudia Dianni 
Brasília, 24 (AE) - O governo brasileiro não vai adotar nenhuma medida de retaliação ou fazer qualquer tipo de pressão em resposta às novas restrições impostas pela Argentina ao comércio bilateral, enquanto o presidente eleito, Fernando De La Rúa, não tomar posse, no dia 10 de dezembro. Para o diretor-geral da Câmara de Comércio Exterior (Camex), José Botafogo Gonçalves, as últimas barreiras adotadas pelo parceiro comercial refletem os esforços do governo Menem para deixar a Casa Rosada "com um pouco mais de crédito", depois da derrota que sofreu para a oposição.
Somente nesta semana os argentinos somaram mais três dificuldades ao comércio: restrições ao frango brasileiro, ameaça ao Regime Automotivo Comum e restrição de crédito às exportações de produtos de valor unitário acima de US$ 100 mil. À lista de produtos brasileiros que vêem sofrendo barreiras para entrar na Argentina desde janeiro, depois da desvalorização do real, já somam-se ainda têxteis, calçados, carne e papéis brasileiros.
A Argentina quer solicitar autorização à Organização Mundial do Comércio (OMC), para prorrogar o seu regime interno de estímulo ao setor automotivo, que vence no dia 31 de dezembro. Essa medida tornaria inviável a criação do Regime Automotivo Comum do Mercosul, em discussão desde o início do ano e para o qual os dois países ainda não conseguiram acordo. "Acho muito improvável que a OMC concorde com a prorrogação do regime automotivo argentino", disse Botafogo. Segundo ele, se isso acontecer, o Brasil também poderá pedir a prorrogação de seu regime automotivo, que também acaba em 31 de dezembro. "Aí vai valer tudo", disse.
De acordo com Botafogo, os argentinos já ameaçaram várias vezes pedir a prorrogação do regime interno automotivo, mas nunca levaram essa questão à mesa de negociação do Regime Automotivo Comum.
Na avaliação de Botafogo, a exclusão de produtos de valor unitário acima de US$ 100 mil do sistema CCR, que oferece garantia em operações comerciais, pode prejudicar as exportações brasileiras para a Argentina, mas, por enquanto, não será adotada nenhuma medida. Ele disse ainda que a diplomacia brasileira já está tentando derrubar a cota de 3.742 toneladas mensais para o frango brasileiro. Ele acredita que não será difícil reverter essa medida que, segundo ele, não tem base legal.


