São Paulo, 24 (AE) - O ministro de Minas e Energia, Rodolpho Tourinho, acusou os usineiros produtores de álcool hidratado de terem formado cartel, por causa do aumento do preço do combustível, um dos itens que mais contribuiu para a inflação este mês. "Há um movimento de formação de cartel e recomposição de margem pelos produtores de álcool hidratado", afirmou Tourinho.
O ministro participou hoje, no Palácio dos Bandeirantes, de uma reunião com o governador Mário Covas e representantes dos usineiros, plantadores de cana e trabalhadores do setor. Em agosto, foi assinado um acordo para aumentar os empregos no setor, com a elevação da produção e estímulo ao carro a álcool.
O governo estadual concedeu isenção do Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) até 2000 para os carros a álcool licenciados no Estado até o fim deste ano.
O ministro reafirmou a decisão de fazer leilões quinzenais de álcool do estoque do governo, de 2 bilhões de litros. O primeiro leilão será na primeira quinzena de dezembro, com a venda de 50 milhões de litros. Esse volume pode aumentar nos próximos leilões. Se os leilões não forem suficientes para reduzir o preço, o governo pode tomar outras medidas, como a redução da alíquota de importação. O tabelamento de preços foi descartado. "Não dá certo", disse Tourinho.
O secretário de Agricultura do Estado, João Carlos de Souza Meirelles, evitou criticar os usineiros. "Ainda estamos investigando quem é responsável pela alta dos preços", disse. Ele garantiu que Covas não pensa em desistir do incentivo ao carro a álcool. "Estamos fazendo a nossa parte", afirmou. Ele lembrou que o preço do álcool não tem mais relação com o da gasolina. "Os preços são livres", afirmou.
O superintendente da União da Agroindústria Canavieira de São Paulo (Unica), Luiz Carlos Corrêa Carvalho, concorda que o preço está "desequilibrado", mas acha é parte do processo de transição, após a liberação dos preços, assim como ocorreu com a gasolina.
A prova do desequilíbrio, segundo ele, é a dispersão dos preços, com o álcool custando entre R$ 0,70 e R$ 0,85 o litro na bomba. O preço normal, segundo ele, seria entre R$ 0,75 e R$ 0 80. "R$ 0,80 é um preço bom para o consumidor", afirmou.
Credibilidade - A credibilidade do carro a álcool é a principal preocupação tanto do ministro Tourinho como do secretário de Agricultura do Estado. "Isso já aconteceu há dez anos, quando faltou produto e o consumidor passou a rejeitar o carro a álcool", disse o ministro. "Se não conquistar credibilidade, o setor está ameaçando o próprio futuro", afirmou. "O pacto é para devolver a credibilidade perdida pelo carro a álcool", disse o secretário.

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