São Paulo, 24 (AE) - O maior volume de dinheiro que está circulando no mercado por conta do fim de ano já abriu caminho para que algumas indústrias de bens de consumo duráveis e não-duráveis aproveitassem a oportunidade para aumentar as tabelas de preços este mês. O comércio, que acompanha de perto o ritmo das vendas, está relutando em aceitar reajustes, pois não acredita que o consumidor vá absorver a alta.
A Nestlé, por exemplo, reajustou os preços de seus produtos entre 5% e 9% neste mês. Os maiores aumentos ocorreram no Leite Ninho, Leite Condensado Moça e em produtos refrigerados. É o segundo reajuste promovido pela companhia neste ano. Para 2000, ela espera manter a recuperação de preços, diz o presidente, Ricardo Gonçalves. O presidente da Siemens, Hermann Wever trabalha com a perspectiva de inflação de 10% para o ano que vem.
A indústria de autopeças está pressionando as montadoras para obter reajustes que cubram parte dos custos resultantes da desvalorização cambial e do aumento dos preços das matérias-primas. O setor ameaça suspender as entregas, caso não chegue a um acordo com as fábricas. O presidente do Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças), Paulo Butori, conta que enviou carta aos presidentes das montadoras informando que o setor opera no limite e não pode mais arcar com aumentos de custos. De janeiro a agosto o preço do papel e papelão subiu 39%, de produtos químicos 37%, da borracha 30% e do aço e derivados 19%. Se as montadoras aceitam, podem repassar para o preço dos carros.
Fabricantes de industrializados de carne aumentaram em 15% suas tabelas este mês para os supermercados, conta o diretor da rede DAvó, Martinho Paiva Moreira, citando Perdigão e Sadia. "A partir da próxima semana vamos repassar para o consumidor, mas ainda estamos brigando com a indústria para elas voltarem atrás."
No caso do frango, conta, o aumento chega a 20% dos frigoríficos para o varejo e esse percentual já foi repassado para o consumidor e provocou uma queda de 15% no volume de vendas nas suas lojas. Moreira diz que, mesmo que cheguem nova tabelas, a intenção é renegociar ao máximo para não perder vendas no Natal.
O Índice de Preços no Varejo (IPV) da Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fcesp) , com alta de 1,15% na terceira quadrissemana de novembro, confirma essas pressões. Alimentos (2,76%) - basicamente carnes e derivados -, e os materiais de construção (4,75%) pressionaram os preços no varejo.
"A demanda está negativa", diz o presidente da Associação Paulista de Supermercados (Apas), Omar Assaf. De janeiro a outubro, o índice da Apas acumula queda de 1,2% nas vendas em relação a igual período de 1998. "Vamos negociar muito os aumentos de preços e a situação é mais tranquila que há um mês.
Wever, da Siemens, diz estar otimista em relação ao comportamento da inflação. O mercado, avalia, não deverá sancionar os movimentos de alta dos preços. "Não existe razão para reajustar tabelas, se uma parte significativa dos custos não foi afetada pela desvalorização cambial." Wever citou o alumínio, cujo preço foi reajustado pela cotação do dólar, apesar dos principais insumos e matérias-primas serem bauxita, energia elétrica e mão-de-obras, todos pagos em reais.





