São Paulo, 24 (AE) - A liberalização cambial em janeiro de 1999 fez com que o setor siderúrgico passasse rapidamente do lucro para o prejuízo. As empresas do setor haviam feito captação externas sem o devido "casamento" de garantias em moeda estrangeira. Estudo da Consultoria Austin Asis demonstra que com a máxi a despesa financeira das empresas com ações em Bolsa do setor siderúrgico este ano multiplicaram-se por cinco e em geral as empresas saíram do lucro para o prejuízo em seus balanços.
Segundo Erivelto Rodrigues, diretor da Consultoria Austin Asis, o desempenho das empresas foi prejudicado pelas empresas terem realizado captações externas como alternativa de financiamento para a realização de investimentos em capital fixo (máquinas, equipamentos) e não possuíam hedge ("garantia") nos mercados futuros ou natural (ou por não exportarem, ou por não possuírem ativos no exterior). Segundo Rodrigues, "em que pese a recuperação da margem bruta por parte das companhias, a desvalorização cambial foi o principal item a impactar negativamente na rentabilidade do setor".
O estudo mostra ainda que, apesar de o Brasil estar entre os dez maiores produtores, as empresas nacionais são "pequenas" comparando com as internacionais. De acordo com o estudo, nenhuma empresa nacional aparece na lista das 30 maiores companhias mundiais, o que dificulta a competitividade das mesmas no mercado internacional, já que a produção individual das duas maiores companhias mundiais, a Nippon Steel com 26,4 milhões de toneladas e a Posco-Pohang com 24,3 milhões de toneladas supera individualmente a produção nacional do ano passado.
Em 1998, o Brasil produziu 23,3 milhões de toneladas IBS (Instituto Brasileiro de Siderurgia) de aço bruto, o que correspondeu a 3,4% da produção mundial, obtendo o 8º. lugar entre os países produtores. A China ocupou a 1ª posição com 114 0 milhões de toneladas seguida pelos Estados Unidos com 97,4 milhões e o Japão com 93,5 milhões.
O setor pode ser descrito como sendo de capital intensivo (a maioria das empresas são geradoras de caixa) e seus principais produtos são: aços longos, semi-acabados, planos e especiais, com diversas utilizações principalmente na indústria automobilística, autopeças, bens de capital, construção civil, entre outros.
Além disso, a alta concentração da produção em apenas algumas empresas (segmento oligopolizado) e em determinadas situações como no caso de aços planos especiais (aço inox e aço silício) o setor é monopolista (uma única empresa domina o mercado), sendo a Acesita a única produtora. Essa concentração também é verificada em nível mundial.
Parte considerável da produção nacional concentra-se no segmento de aços planos (45%), sendo que menos de 5% desse segmento refere-se aos aços especiais. O restante divide-se entre os segmentos de produtos semi-acabados (28%) e aços longos (27%).
A produção de aço por meio das usinas que operam fornos elétricos e tem como matéria-prima básica a sucata vem se expandindo em detrimento da produção das usinas integradas a coque, que operam alto-forno e conversores, utilizando ferro-gusa como principal matéria-prima. As aciarias elétricas têm a vantagem da modulação e podem operar em escalas reduzidas, inferiores a 500 mil toneladas/ano. Atualmente as mini-usinas estão sendo mais utilizadas em detrimento das de grande porte em função de menores custos de investimento, maior flexibilidade, menor impacto ambiental e facilidade de atendimento de mercados regionais, reduzindo custos com transporte.
Classificação - A Consultoria Austin Asis está acreditando em melhora da rentabilidade do setor siderúrgico e decidiu transformar a classificação setorial (de empresas com ações em Bolsa) do segmento de estável para favorável. A recuperação dos preços deverá proporcionar uma melhora da performance das empresas do setor, com destaque para a Siderúrgica Tubarão, que será a mais beneficiada por exportar cerca de 95% da sua produção.
O setor sofreu com os efeitos da crise internacional, sendo que o cenário em 1998 foi o de superprodução e preços em queda. Já em 1999, a desvalorização cambial permitiu a recomposição das margens nas exportações e encareceu, fazendo com que houvesse perda da competitividade das importações. A consultoria prevê para o mercado mundial que a economia dos Estados Unidos e da Europa continuem em expansão e a ásia e o Leste Europeu não apresentem as mesmas turbulências que ocorreram recentemente. Segundo a consultoria, esses aspectos possibilitam "uma lenta, porém firme, retomada de preços dos produtos siderúrgicos tanto no mercado interno como no externo".

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