Brasília, 24 (AE) - O governo quer que as indústrias fabricantes de equipamentos elétricos e que utilizam gás de cozinha ou derivados de petróleo apresentem níveis mínimos de eficiência para reduzir o consumo de energia no País. O diretor da Agência Nacional do Petróleo (ANP), Luiz Augusto Horta Nogueira, afirmou hoje que os fogões populares e mais simples, de quatro bocas, apresentam um desperdício de 60% do gás de cozinha (GLP), o que tem impacto não só na economia das famílias como na balança comercial brasileira.
Na próxima semana deverá ser votada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados um projeto de 1990, do então senador Fernando Henrique Cardoso, que estabelece parâmetros mínimos de qualidade para os equipamentos elétricos, como lâmpadas, geladeiras, ar-condicionados, motores e disjuntores. Segundo o diretor-geral da ANP, David Zylbersztajn, a votação do projeto já foi acertada com o presidente da CCJ, deputado José Carlos Aleluia (PFL-BA).
Zylberztajn afirmou que deverá ser incluído no projeto, que já foi aprovado no Senado, um artigo que incorpora os produtos que utilizam gás e derivados de petróleo, como fogões. "O projeto obriga o fabricante a produzir equipamentos eficientes", afirmou Zylbersztajn.
Segundo ele, o texto também pune com multas pesadas, além das empresas que não cumprirem os parâmetros de qualidade, os estabelecimentos comerciais que venderem produtos sem qualificação.
Mesmo com o projeto de lei, a ANP pretende instituir um selo de qualidade para os fogões vendidos no País, como já ocorre para medir o consumo das geladeiras. "Queremos mostrar ao consumidor que, se ele comprar um fogão mais barato, poderá estar desperdiçando mais gás e gastando mais no futuro", disse Zylbersztajn.
O diretor da ANP afirmou que a agência pretende negociar com os quatro fabricantes de fogões a gás do País para que os projetos dos produtos sejam aperfeiçoados. Os fogões mais sofisticados, de seis bocas, tem um índice de desperdício de gás de 40%.
As famílias de baixa renda que têm fogões mais simples e baratos de quatro bocas, segundo Horta Nogueira, gastam cerca de 5% de seus recursos com energia, incluindo o gás de cozinha. A redução no desperdício dos fogões, disse o diretor, terá benefícios sociais. "São cerca de 25 milhões de fogões no País", lembrou Nogueira.
Como o País importa cerca de 40% do GLP que consome, a ANP calcula que se houver a redução de 20% no consumo, as importações podem cair pela metade. "Isto significa uma economia de US$ 500 milhões por ano na balança comercial", disse Nogueira. As empresas distribuidoras de gás, segundo ele, também deveriam promover campanhas para o uso racional do gás de cozinha.
A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) anunciou hoje que as 17 principais concessionárias de energia elétrica vão investir este ano pelo menos R$ 170 milhões para a conservação de energia. As empresas calculam que poderão economizar, no horário de pico, 250 megawatts de energia, o suficiente para abastecer todo o Distrito Federal. Com esta economia, afirmou o diretor da Aneel, Afonso Henriques Santos, foram evitados investimentos no total de R$ 362 milhões.

mockup