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quarta-feira, 24 de novembro de 1999
Por Maria Fernanda Delmas e Mônica Ciarelli 
Rio, 24 (AE) - O aumento de 0,4% no emprego industrial de São Paulo, de agosto para setembro, possibilitou um índice nacional positivo de 0,1%, igual ao de julho passado. Houve crescimento em 15 dos 22 setores industriais paulistas. Com exceção de Minas Gerais e da região Sul, que apresentaram resultados estáveis, o emprego industrial caiu nas outras regiões do País, segundo pesquisa divulgada hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A queda no Rio, por exemplo, foi de 0,4%, e no Nordeste, de 0,3%.
O resultado consolidado de setembro não significa uma retomada do crescimento, de acordo com a economista do departamento de indústria do IBGE, Mírian Ferreira. "A indústria já fez os ajustes mais profundos e tende à estabilidade", disse. "Para voltar a contratar, a indústria precisa de uma perspectiva mais favorável da economia no médio e longo prazos".
No acumulado do ano até setembro, o emprego industrial no País caiu 8,4%. A queda em relação a setembro do ano passado foi de 6,8% e nos últimos 12 meses, de 8,6%. Em setembro, os maiores índices de contratação foram registrados nas indústrias de bebidas (2%), papel e papelão (1,3%) e mobiliário (1,2%). A indústria do fumo, influenciada pela sazonalidade, promoveu cortes de 11,6%.
Entre janeiro e setembro, o emprego na indústria paulista teve queda de 9,1%. Em Minas Gerais, a queda foi de 11 5%. "Os segmentos de bens duráveis e bens de capital foram os mais afetados pelos juros altos", disse Mírian. O Nordeste reduziu os postos de trabalho em 8,5% e o Rio, em 7,8%. Nacionalmente, a indústria metal-mecânica foi a que mais demitiu nos nove meses, com queda de 14,8% no segmento de mecânica e 12 9% em metalurgia. O emprego em indústrias de produtos alimentares caiu apenas 0,3%. O salário médio caiu 0,3% em setembro, pela terceira vez consecutiva.
Em relação a setembro de 1998, a queda foi de 10,4%. "Os salários vinham crescendo em 1998, quem estava em um emprego tinha ganhos de remuneração", afirmou a economista do IBGE. Em São Paulo, os salários caíram 11,3% em relação a setembro do ano passado, acima da média nacional de queda, de 10 4%. Em termos reais, a queda do salário nacional é de 2,2%, segundo Mírian. "O desemprego alto tira o poder de barganha do trabalhador", informou.
O número de horas pagas caiu 0,1% de julho para agosto e 9,1% no acumulado do ano. De janeiro a agosto, a queda no valor das horas extras pagas foi de 24,3%. A folha de pagamento foi reduzida em 11,4% de agosto deste ano para agosto de 1998. No acumulado do ano, a queda foi de 12,3%.


