Washington, 24 (AE) - O vice-presidente e economista chefe do Banco Mundial, Joseph Stiglitz, anunciou hoje que deixará o posto no fim do ano, um mês antes de acabar seu contrato de cinco anos, para retomar sua cátedra de professor da Universidade de Stanford.
"Chegou a hora de voltar para a pesquisa séria", afirmou ele
num breve comunicado no qual deixou patente seu desdém intelectual pelo trabalho dos organismos financeiros internacionais, dos quais se tornara um duro crítico nos últimos tempos.
Ex-membro do conselho de asessores econômicos no primeiro governo Clinton , Stiglitz é tido no mundo acadêmico como um nome certo para o prêmio Nobel por causa de sua contribuição para o desenvolvimento da economia da informação.
Em Washington, Stiglitz fez uma coleção de inimigos em Washington com seu estilo nada ortodoxo de usar seu prestígio acadêmico para dizer o que pensa. Ganhou a ira oficial no final de 1997, em plena crise financeira asiática, ao afirmar publicamente que a estretágia do Tesouro americano e do Fundo Monetário Internacional estava errada e agravara o problema, em lugar de resolvê-lo. Algumas semanas depois o FMI fez uma autocrítica.
Mais recentemente, o Fundo reconheceu o mérito de algumas formas de controle de capital de curto prazo, defendidas por Stigltz. Depois, o economista trombou com seu patrão, o presidente do Banco Mundial, James Wolfensohn, depois de condenar a receita da instituição e do FMI na Rússia.
"Acho que a avaliação mais recente de Joe (sobre a Rússia) não está totalmente correta", disse Wolfensohn, em setembro, dois dias depois de ser reeleito para seu segundo mandato, com forte apoio do governo norte-americano. Nas últimas semanas, a especulação em Washington é que a saída de Stiglitz foi uma exigência do secretário do Tesouro, Larry Summers, para a recondução de Wolfenson.
Hoje, Wolfensohn disse que sentirá a falta de Stiglitz. "Ele foi uma voz forte e importante para os interesses dos países em desenvolvimento, e especialmente para os pobres."
Autor de vários livros e manuais de economia, Stiglitz estudou no Massachusetts Institute of Technology e tornou-se catedrático na Universidade de Yale aos 26 anos de idade.





