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terça-feira, 23 de novembro de 1999
Por Carlos Mendes 
Belém, 23 (AE) -O fazendeiro goiano Leonardo Mendonça, apontado pela Polícia Federal do Pará como o maior transportador de cocaína do país, negou hoje em Belém, na sede da PF, onde está preso, qualquer envolvimento com o tráfico internacional de drogas. Ele disse que sempre morou em Goiânia (GO) e que jamais manteve qualquer relação comercial ou de amizade com outros acusados presos pela PF.
Mendonça disse não conhecer os acusados que vieram presos com ele de Goiânia para Belém. Mas a PF, segundo o delegado José Sales, já possui provas suficientes para incriminar o fazendeiro por tráfico de drogas e formação de quadrilha. "A negativa dos fatos por parte do acusado naturalmente segue a orientação de advogados", resumiu Sales.
O advogado Augusto Marcondes, defensor do piloto Ivanilson Alves, acusado pela PF de ser sócio de Mendonça em vários negócios ilícitos, além do tráfico de drogas, negou o envolvimento direto ou indireto de seu cliente com os fatos investigados pela Polícia Federal. "Ele não tem nada a ver com isso e nunca transportou droga em seu avião".
Ontem (22), ao chegar em Belém, Mendonça negou ser o proprietário da fazenda Belauto, em Marabá, de onde supostamente comandaria a remessa de cocaína para o Suriname, Guiana Francesa
Estados Unidos e países da Europa. Mendonça está numa cela isolado dos pilotos comerciais Pedro Misael Alves Ferreira e Antenor José Pereira, com os quais veio preso de Goiânia.
Segundo o superintendente da PF no Pará, Geraldo Araújo, a fazenda Belauto está legalmente registrada em nome do fazendeiro Wilson Moreira Torres. Ele seria sócio de Mendonça em outros negócios, como o Auto Posto Gol e a empresa de factoring Fast Money, em Marabá. A PF apurou que Mendonça é dono de duas fazendas, um avião Sêneca e dois carros importados, entre outros bens. Sua fortuna é avaliada em R$ 20 milhões. Os bens não foram declarados à Receita Federal.
"Estamos investigando a teia da lavagem de dinheiro do grupo com outros empresários do Pará também envolvidos", disse Araújo. Ele contou que um dos sócios de Mendonça, residente em Goiânia, Ecival de Pádua Santome, conhecido como "Pé na Cova", havia sido preso antes dele, em meados deste ano. Santome foi surpreendido por agentes federais com 327 quilos de cocaína dentro de um avião de Mendonça, de prefixo PT-ICY, em Mato Grosso.


