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terça-feira, 23 de novembro de 1999
Por Tiago Oliveira, especial para a AE 
São Paulo, 23 (AE) - O governo vem preparando duas megaoperações envolvendo o Exército, a Marinha, a Aeronáutica, a Polícia Federal, a Receita Federal, a Funai e o Banco do Nordeste para tentar conter o avanço do plantio e da comercialização da maconha na região denominada como "Polígono da Maconha", no interior de Pernambuco.
"Isso faz parte de um projeto muito maior proposto pelo extinto gabinete da Casa Militar, a Secretaria Nacional Antidrogas (Senad) e o Banco do Nordeste", contou o secretário nacional Antidrogas, Valter Maierovitch.
"Esse projeto foi autorizado pelo presidente Fernando Henrique Cardoso e prevê o incentivo de cultivos alternativos na região, por meio de subsídios à produção de outros produtos, que não a maconha", acrescentou Maierovitch.
Segundo ele, a Organização das Nações Unidas (ONU) já desenvolveu um projeto similar na ásia para promover a substituição do cultivo da papoula, a partir da qual se produz o ópio e a heroína.
A primeira ação, chamada Operação Moxotó-Pajeru, vem sendo desenvolvida há três meses e consiste na distribuição de subsídios aos pequenos agricultores do Vale do São Francisco, para que eles abandonem o cultivo da maconha.
"Neste fim de semana, o Banco do Nordeste promoverá um encontro com os agricultores para explicar como deverá funcionar o incentivo agrícola", explicou o secretário.
A outra ação, chamada Operação Mandacaru, será conduzida pelo gabinete de Segurança Institucional, comandada pelo general Alberto Cardoso, e ainda não tem data definida para ocorrer.
O objetivo da operação é erradicar as plantações de maconha no sertão de Pernambuco, o que será realizado por uma força-tarefa composta por integrantes das Forças Armadas, da PF e da Senad.
Não é a primeira vez que o governo Fernando Henrique promove uma operação do gênero. Em 22 de setembro de 1998, uma operação similar, chamada Operação Primavera, envolveu a PF e a Força Aérea Brasileira, e resultou na destruição de cerca de 1,3 milhão de pés de maconha, o equivalente a 300 toneladas da droga.
Na época, o então ministro da Justiça, Renan Calheiros, gabava-se de ter detonado "a maior e mais proveitosa operação realizada na região".
O "Polígono da Maconha" compreende as cidades de Petrolina, Orocó, Cabrobó, Ibó e Floresta. Todas ficam no Vale do São Francisco e optam, ainda que informalmente, por viver do plantio e da comercialização da maconha, muito mais rentável que o de culturas como tomate, cebola, milho e feijão, antes bastante comuns na região.
Em represália às muitas tentativas de conter o crime na região
os traficantes roubam cargas, caminhões e assaltam passageiros dentro de ônibus que transitam pela BR-428, que liga o sertão à capital do Estado, Recife. Na tentativa de controlar um região praticamente sem lei, a Polícia Rodoviária Federal tem montado barreiras em várias estradas locais e a Polícia Militar montou sua operação, chamada de Anjos da Guarda, na qual PMs são postos dentro de ônibus e caminhões, bem como realizam comboios escoltando os viajantes.
Apesar disso, nada até hoje conseguiu parar a ação dos narcotraficantes no "Polígono da Maconha", nem as iniciativas do poder local, nem as megaoperações sob a coordenação do governo federal.


