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terça-feira, 23 de novembro de 1999
Por Edson Luiz e Hugo Marques 
Porto Velho, 23 (AE) - Um relatório reservado da Divisão de Repressão a Entorpecentes (DRE) da Polícia Federal mostra que a quadrilha de traficantes presa no fim de semana em Goiás atuava também em São Paulo, Maranhão, Pará, Espírito Santo, Roraima e Rio de Janeiro. A droga, que era enviada para o exterior e distribuída no eixo Rio-São Paulo, é procedente da Colômbia e entrava no Brasil pelo Suriname. Para enviar cocaína para a Europa e Estados Unidos, os traficantes usaram aeroportos do interior paulista e até o porto de Vitória (ES).
Para se chegar ao grupo, que seria liderado pelo empresário Leonardo Dias Mendonça, de Goiás - considerado hoje um dos maiores do País - a Polícia Federal montou a operação "Tornado", iniciada ainda no ano passado. Com a prisão da quadrilha, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Narcotráfico espera chegar aos grandes chefões da cocaína no País e descobrir pessoas envolvidas com o tráfico na região de Campinas, onde está montado o esquema de lavagem de dinheiro do empresário William Sozza.
Segundo o relatório da PF, foi a partir da apreensão de 114 quilos de cocaína em Buriticupu (MA), em poder de cinco traficantes, que se começou a fazer a conexão com outros centros
até chegar à prisão de Mendonça, que será interrogado pela CPI nos próximos dias. A cocaína vinha de Barrancominas, na Colômbia. A partir daí, a PF iniciou uma série de outras apreensões, como 60 quilos da droga em Breves (PA), em outubro de 1998.
Conforme o relatório, neste mesmo mês foram apreendidos 191 quilos de cocaína na França, também pertencente à quadrilha. A droga transitou por Paramaribo (Suriname) e depois por Guadalupe
até chegar em Paris. A rota seria uma forma de tentar despistar o monitoramento da PF, que estava visando apenas a conexão Colômbia-Brasil.
Desde a metade do ano passado, os traficantes passaram a utilizar o Suriname, Guiana Inglesa e uma área na floresta Amazônica para enviar a cocaína direto para os Estados Unidos e Europa, restabelecendo uma antiga rota. A confirmação do novo esquema aconteceu no ano passado.
Descobertos após uma pane no avião em que estavam, traficantes brasileiros atearam fogo à aeronave, supostamente carregada de cocaína, próximo ao rio Exekeka, na cidade de Bartica, na Guiana Inglesa.
A conexão Suriname-Guiana-Brasil foi confirmada depois que a PF apreendeu em Boa Vista, em Roraima - Estado que faz fronteira com a Guiana - mais de US$ 150 mil com Euclides Erian da Silva, conhecido por "Eion Saigo Ioclin". O dinheiro, segundo levantamentos da PF, seria de um doleiro guianense e era para pagar a cocaína perdida durante o incêndio do avião na Guiana Inglesa.


